quinta-feira, 9 julho 2026

Região de Campinas registra mais de 1,6 mil casos de hepatite desde 2023; tipo C lidera e tem cura

As hepatites virais são infecções que atingem o fígado, provocando alterações de nível leve, moderado ou grave. Foto: Prefeitura de Campinas

A campanha nacional Julho Amarelo tem como foco a prevenção, a conscientização, o diagnóstico precoce e o tratamento das hepatites virais. Na área de cobertura da TV TODODIA, foram registrados 1.648 casos das hepatites A, B e C entre 2023 e o primeiro semestre de 2026, somando ocorrências de Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Limeira, Hortolândia, Campinas, Cosmópolis e Paulínia.

No panorama regional, a hepatite C concentra o maior número de notificações, com 790 registros no período. A hepatite B aparece com 501 casos, enquanto a hepatite A soma 357 notificações. Nova Odessa, Piracicaba e Sumaré não enviaram os dados até o fechamento desta reportagem.

Doença pode passar despercebida
Segundo o Ministério da Saúde, as hepatites virais são infecções que atingem o fígado e podem provocar alterações leves, moderadas ou graves. Em muitos casos, a doença evolui de forma silenciosa. Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

A médica infectologista Tânia Reuter, integrante do comitê de hepatites virais da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que as hepatites A e E geralmente não evoluem para a forma crônica, enquanto as infecções pelos vírus B, C e D podem se tornar crônicas. Ela destaca que a ausência de sintomas faz com que muitas pessoas convivam com o vírus por anos sem diagnóstico.

“É recomendado que as pessoas peçam nas unidades básicas de saúde para realizar os testes, para saber se são ou não positivos para essas três hepatites. Isso porque ela é silenciosa, eu posso estar portador e não ter nenhum sintoma e elas têm tratamento e eventualmente cura”, afirmou a especialista.

Tipos e prevenção
A hepatite A é causada pelo vírus HAV e, em geral, tem caráter benigno. A hepatite B, segundo dados do Ministério da Saúde, respondeu por 36,8% dos casos confirmados de hepatites virais no Sinan entre 2000 e 2023 e é a segunda causa de óbito entre essas doenças. Já a hepatite C, provocada pelo vírus HCV, pode ter evolução aguda ou crônica, sendo esta última a forma mais comum.

A hepatite D depende da presença do vírus da hepatite B para infectar o organismo, e a hepatite E costuma ter curta duração, embora possa evoluir para quadros graves. A principal forma de prevenção para as hepatites A e B é a vacinação disponível no SUS (Sistema Único de Saúde). O sistema público também oferece testes rápidos para hepatites B e C, com resultado em cerca de 30 minutos.

A hepatite C tem cura e o tratamento é ofertado gratuitamente pelo SUS, com duração de 12 a 24 semanas. A coordenadora-geral de Vigilância das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Tiemi Arakawa, afirma que a linha de cuidado depende da organização de municípios e estados. “Na linha de cuidado a gente tem a recomendação de que os municípios, os estados consigam organizar aonde será feito o tratamento da hepatite B e C dentro do seu território”, explicou.

Transmissão e diagnóstico
A hepatite A é transmitida principalmente pela via oral-fecal, associada a saneamento básico e higiene inadequados, além do consumo de água e alimentos contaminados. Já a hepatite B pode ser transmitida sexualmente, por contato com sangue contaminado e da mãe para o filho durante a gestação ou parto. A hepatite C também pode ocorrer por contato com sangue contaminado, compartilhamento de objetos cortantes e uso de materiais sem esterilização adequada.

No caso da hepatite B, o teste de triagem é feito pela pesquisa do antígeno HBsAg. Na hepatite C, se o anti-HCV der positivo, é necessário confirmar a infecção ativa com exame de carga viral (HCV-RNA). Em ambos os casos, o acompanhamento e o tratamento podem ser feitos pelo SUS.

Saneamento e registros regionais
A transmissão da hepatite A tem relação direta com saneamento básico e condições de higiene. Na região, os dados mostram notificações em diferentes bairros de Hortolândia, Santa Bárbara d’Oeste, Limeira, Sumaré, Campinas e Cosmópolis, reforçando a importância da prevenção também a partir da infraestrutura urbana e do tratamento de esgoto.

Em Hortolândia, houve casos em bairros como Jardim Malta, Jardim Boa Vista, Jardim Santo Antônio, Jardim São Jorge, Jardim Nova América, Jardim Amanda I, Jardim Amanda II, Jardim Santa Amélia, Vila Real, Jardim Jatobá e Parque dos Pinheiros. Em Santa Bárbara d’Oeste, foram registrados casos nos bairros Dona Regina, Vista Alegre, Distrito Industrial, Planalto do Sol e Jardim Europa.

Limeira teve registros nos bairros Boa Vista, Cidade Universitária e Monsenhor Rossi. Sumaré informou cobertura de coleta na área urbana de 95%, com obras em andamento na Bacia Tijuco Preto para elevar o tratamento. Campinas tem 99,95% da população urbana atendida com água tratada, 97,14% com esgoto coletado e 94,30% desse volume tratado. Cosmópolis também mantém rede pública de coleta na área urbana consolidada e segue com obras e revisão de planos de saneamento.

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