domingo, 31 maio 2026
VEIO DO CONGO

Saúde de SP confirma meningite em paciente internado na capital com suspeita do vírus Ebola

Paciente está isolado no Instituto Emílio Ribas; amostras continuam em análise para Ebola e outros diagnósticos diferenciais virais
Por
Redação
Paciente tem Neisseria meningitidis, bactéria causadora de meningite meningocócica. Foto: Agência SP

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informa que o Instituto Adolfo Lutz confirmou no sábado (30) resultado detectável (positivo) para Neisseria meningitidis, bactéria causadora de meningite meningocócica, em exame de reação de qPCR realizado no paciente inicialmente classificado como caso suspeito de doença pelo vírus Ebola, na capital paulista.

A investigação para Ebola segue em andamento, assim como a apuração de outros diagnósticos diferenciais virais, até a conclusão das análises laboratoriais e genômicas.

O paciente, um homem de 37 anos, de procedência da República Democrática do Congo, país com áreas de transmissão da doença pelo vírus Ebola, e viagem recente ao território, apresentou sintomas como febre, preenchendo a definição de caso suspeito.

Ele está internado em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, unidade estadual de referência para atendimento de casos suspeitos ou confirmados, seguindo os protocolos de biossegurança previstos.

Investigação é preventiva
A investigação foi iniciada de forma preventiva após a identificação de critérios clínicos e epidemiológicos compatíveis com caso suspeito, conforme protocolos nacionais e estaduais.

Mesmo com a confirmação laboratorial de meningite meningocócica, as equipes mantêm a condução clínica e epidemiológica do caso até a conclusão das análises para Ebola e outros diferenciais virais.

“Há confirmação laboratorial da bactéria causadora da meningite meningocócica pelo Instituto Adolfo Lutz, dentro do processo de diagnóstico diferencial. Ainda assim, a investigação para Ebola permanece em andamento até a conclusão das análises específicas”, afirmou Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP.

Congo sofre com surto da doença
Na última semana, a Coordenadoria de Controle de Doenças estadual atualizou a Nota Informativa nº 01/2026, elaborada em conjunto com CVE-SP e Instituto Adolfo Lutz, com orientações à rede de saúde sobre o surto de doença pelo vírus Ebola, cepa Bundibugyo, em curso na República Democrática do Congo.

O documento reforça as medidas de vigilância, definição de caso, notificação imediata, isolamento, manejo inicial, fluxos assistenciais e investigação laboratorial no estado.

No Estado de São Paulo, casos suspeitos devem ser comunicados imediatamente à vigilância epidemiológica municipal e ao CVE.

Emílio Ribas é unidade de referência
O Instituto de Infectologia Emílio Ribas é a unidade de referência estadual para atendimento de casos suspeitos ou confirmados, tendo atuado, em 2014, durante a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.

Na ocasião, o instituto acolheu e monitorou três casos suspeitos, que foram posteriormente descartados. O Instituto Adolfo Lutz é responsável pela investigação laboratorial e pelo diagnóstico diferencial.

A avaliação técnica da Saúde do Estado aponta que o risco de introdução da doença no Brasil e na América do Sul permanece muito baixo.

Entre os fatores considerados estão a ausência histórica de transmissão autóctone no continente sul-americano, a inexistência de voos diretos entre a região afetada e a América do Sul e a forma de transmissão da doença, que exige contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas sintomáticas infectadas.

Mesmo diante do baixo risco, a orientação é para que os serviços de saúde mantenham atenção a pessoas com febre e histórico de viagem, nos últimos 21 dias, para áreas com circulação do vírus.

Também devem ser avaliados casos de contato direto com fluidos corporais de pessoas suspeitas ou confirmadas.

Sintomas e atendimento
A doença pelo vírus Ebola pode começar de forma súbita, com febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em quadros graves, pode evoluir para manifestações hemorrágicas, choque e falência múltipla de órgãos. O período de incubação varia de dois a 21 dias.

A pasta também reforça que a transmissão do Ebola não ocorre antes do início dos sintomas. O maior risco está associado ao contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, especialmente nas fases mais avançadas da doença. Pessoas assintomáticas com exposição considerada de risco devem ser monitoradas diariamente por 21 dias.

Até o momento, não há vacinas licenciadas nem terapias específicas aprovadas para a cepa Bundibugyo. As vacinas e tratamentos disponíveis foram desenvolvidos para a cepa Zaire e não têm eficácia comprovada para a variante relacionada ao surto atual.

* Com informações da Agência SP

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