Reportagem ouve moradores da cidade que têm origem na Bahia sobre a catástrofe provocada pelos temporais
“Em Itaberaba já morreram duas pessoas na cidade por conta das enchentes. Graças a Deus, nada aconteceu com nenhum parente meu, está tudo certo com o pessoal da minha família. Mas, como moram na zona rural, estão com dificuldades de ir até a cidade. As estradas rurais foram todas prejudicadas”, comenta.
A maior preocupação é com uma barragem do Açude Juracy Magalhães, construída em 1932, e que mantém a mesma estrutura da época. No início da semana passada, a cidade recebeu a visita de representantes do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que avaliaram as condições da barragem, além da Represa do Riacho do Feijão, que corta a BR 242 – rodovia de acesso a Itaberaba – e que também está sendo monitorada por risco de rompimento. Ao menos 10 barragens já foram destruídas pela chuva no estado.
Djalma tem irmãos, primos e sobrinhos em Itaberaba, além de parentes em Salvador. Mesmo com a situação em que se encontra o interior baiano, ele está de viagem marcada com os membros da família que estão em Santa Bárbara para Itaberaba nos próximos dias, como faz todo ano. São 1.872 quilômetros de distância que, por vias terrestres, levam mais de 26 horas para serem percorridos em condições normais. “Ainda não sei como estão as estradas que levam para lá. Fiquei sabendo que uma ponte arrebentou e o caminho foi desviado”, explica.
As chuvas também não fizeram o vendedor Manuel Nascimento, 25, desistir de sair de Santa Bárbara para passar o fim de ano em Itapetinga, uma das cidades mais afetadas pelas chuvas, no Sudeste baiano. Até agora foi registrada uma morte na cidade por conta dos alagamentos, que já deixaram mais de três mil desabrigados.
“É muito triste ver a cidade embaixo d’água. Muitos conhecidos sofreram com os efeitos da chuva, mas mais triste seria ver isso de longe” comenta. Os pais, irmão e sobrinhos de Manuel moram na cidade. Manuel não sabe ainda quando vai voltar da cidade e nem como serão as comemorações de final de ano. Segundo a previsão do tempo, as chuvas devem dar uma trégua na cidade pelos próximos dias, mas os estragos ainda estão sendo contabilizados.
“Sempre é muito animado o final de ano lá. Este ano está todo mundo apreensivo, com medo do que pode acontecer. Fora a preocupação com a quantidade de pessoas que perderam tudo. É difícil comemorar assim.”
Canal de umidade ocasionará chuvas na região, mas não na mesma intensidade, diz meteorologista. “As chuvas na Bahia, de fato, foram muito acima da média em dezembro, provocadas pela Zona de Convergência do Atlântico Sul. Foi o triplo, o quádruplo do que é a média climatológica”, comenta o meteorologista Bruno Kabke Bainy, do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Ele cita os dados Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) que apontam dezembro de 2021 como o mais chuvoso dos últimos 15 anos. Caravelas (BA), por exemplo, registrou 346,2mm a mais do que a média para o período, enquanto Lençóis (BA), um volume de chuva 445,4mm maior.
RMC
Apesar de terem a influência do mesmo fenômeno climático, as chuvas na RMC (Região Metropolitana de Campinas) não devem ser tão intensas como no interior baiano. “O que a gente espera para a região é que haja sim a influência dessa zona de convergência, esse canal de umidade que se forma vai virar mais em direção ao estado de São Paulo nos próximos dias e deve persistir por vários dias. Até o momento, não há indicativos de volumes de chuva tão elevados quanto os da Bahia. Mas deve ser mais do que a média para o período até o meados de janeiro”, explica.
De acordo com o meteorologista, a média de chuvas em janeiro na região é de 280mm e a previsão é que, somente na primeira quinzena do mês, sejam registrados 250mm de precipitação. “Os maiores riscos associados são os deslizamentos, por conta da vulnerabilidade do solo que recebe muita água continuamente, e as inundações”, afirma. “São indicativos. Precisamos ir acompanhando para ter uma perspectiva. As previsões são refeitas e atualizadas e isso tudo é repassado para os órgãos competentes e, em seguida para a população”, completa.





