O fornecimento de sensores para monitoramento contínuo de glicose foi a pauta principal da 17ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste, realizada na tarde de terça-feira (13).
Tecnologia no tratamento
De autoria do presidente da Casa, vereador do PL Kifú, o Projeto de Lei nº 130/2025 institui um programa municipal para garantir o acesso gratuito a tecnologias de ponta no tratamento do diabetes.

O objetivo central é substituir o tradicional e doloroso teste de ponta de dedo por um sistema de monitoramento contínuo, que oferece alertas preditivos e muito mais segurança aos pacientes. Durante a apresentação da proposta, o vereador Kifú não conteve a emoção ao relatar que a luta contra a doença faz parte de sua esfera pessoal.
“Foi um projeto que foi construído com a Secretaria Municipal de Saúde, que já está sendo construído por profissionais da área: nutricionista, endocrinologista, psicólogos, pessoal de educação física, para criar-se um protocolo de atendimento,que pode ser iniciado em Santa Bárbara d’Oeste”, explica Kifú.
TypeD Social
No início da sessão, a tribuna livre foi usada pelo gerente de engenharia de software Diego Favaro, um dos organizadores da TypeD Social, uma rede social voltada exclusivamente para pessoas com diabetes. A plataforma tem como objetivo promover a troca de informações, apoio mútuo e acompanhamento da rotina dos usuários.
“Deixa eu convidar vocês para uma cena. São três horas da madrugada em algum bairro dessa cidade. Uma mãe acende a luz do quarto. Não é a primeira vez na noite e não vai ser a última. Ela está com uma caneta que fura o dedo para medição de glicemia de uma criança. Ela se inclina sobre o filho e fura mais uma vez a ponta de um dedo que já está calejado. Ela faz isso porque, se ela não fizer, talvez o filho dela pode não acordar amanhã”, exemplifica Favaro.
Crianças e adolescentes
A iniciativa foca em crianças e adolescentes de 2 a 17 anos que enfrentam os desafios diários do Diabetes Tipo 1. Para garantir o benefício, a família deve residir em Santa Bárbara d’Oeste, ter inscrição ativa no CadÚnico e apresentar laudo de um endocrinologista que comprove a necessidade técnica da tecnologia.
O projeto assegura o acesso gratuito a todo o sistema de monitoramento, incluindo os sensores subcutâneos e os leitores ou aplicativos para a aferição dos dados. Além da entrega dos insumos, o programa prevê o treinamento obrigatório de pacientes e responsáveis para o manuseio correto dos equipamentos.
Gestão pública
Toda a gestão ficará a cargo da Secretaria Municipal de Saúde, que deverá realizar o cadastro, a compra e a distribuição contínua dos materiais, garantindo que o tratamento não seja interrompido por falta de estoque. As despesas serão custeadas por dotações orçamentárias próprias do município.
“E aí entra a questão do dinheiro público. É mais barato você investir em sensores do que você investir em uma UTI, do que você investir em um corte de um membro de uma criança, ou em alguma atividade que exija cuidados com os seus rins. E isso, sem dúvida, sem cuidado, é o que mais acontece”, defende Diego Favaro. O projeto foi aprovado por unanimidade com 17 votos favoráveis.
Protetores de animais
Logo em seguida, os parlamentares passaram a discutir o Projeto de Lei nº 183/2025. De autoria da vereadora Esther Moraes (PV), a proposta visa criar o Cadastro Municipal de Protetores e Cuidadores Individuais de Animais em Santa Bárbara d’Oeste.
O objetivo é organizar e dar suporte legal àqueles que dedicam o tempo e recursos próprios no acolhimento de animais abandonados ou em situação de risco na cidade. “Sem o apoio dos protetores, muitos animais acabam voltando para as ruas. A ideia é que, com esse cadastro, o município reconheça quem já atua na proteção animal; o cuidado do animal deixa de ser totalmente informal e a prefeitura também vai passar a enxergar os protetores como um parceiro da política pública”, destaca Moraes. A proposta também foi aprovada com 17 votos favoráveis e os vereadores retomam os trabalhos na próxima terça-feira.





