quinta-feira, 16 abril 2026
BAIRRO CRUZEIRO DO SUL

Transporte escolar pode ser suspenso para parte de alunos e mães questionam falta de diálogo em Santa Bárbara

A reportagem procurou a prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste e aguarda posicionamento
Por
Nicoly Maia
A principal dúvida das mães é o motivo da mudança, já que o transporte sempre foi oferecido. Foto: Ana Machado/ TV TODODIA

Mães de alunos da Emefei (Escola Municipal de Ensino Fundamental e Educação Infantil) Anália de Lucca Furlan, no bairro Cruzeiro do Sul, em Santa Bárbara d’Oeste, questionam a suspensão do transporte escolar para parte dos estudantes e relatam falta de diálogo da prefeitura sobre a mudança.

Segundo os relatos, o serviço deixa de atender, a partir do dia 22, crianças que moram a menos de 2 quilômetros da unidade, critério que, até então, não era aplicado na prática.

Reunião
De acordo com as mães, a alteração foi comunicada durante uma reunião realizada na escola na segunda-feira (13). Na ocasião, os responsáveis foram avisados de que apenas alunos que moram a mais de 2 quilômetros terão direito ao transporte.

Patrícia de França do Nascimento, mãe de uma aluna de oito anos, diz que a justificativa apresentada gerou dúvidas.

“Disseram que a empresa fez um levantamento e definiu quais pontos seriam atendidos. Falaram que agora querem aplicar a regra dos 2 km. Mas a empresa presta serviço para a prefeitura. Quem decide isso?”, questiona.

Dificuldades
As famílias relatam que, apesar de estarem dentro do limite estabelecido, o deslocamento até a escola é difícil. Em muitos casos, o trajeto ultrapassa 1 quilômetro a pé, com obstáculos como falta de asfalto, subidas íngremes e condições climáticas adversas.

“Para levar não é perto. Dá de 20 a 25 minutos andando, às vezes mais com criança. Ao meio-dia, o sol é muito forte. Quando chove, vira lama”, relata Andrea Silva de Queiroz.

A insegurança também preocupa. “A gente passa por morro, buraco e matagal. É perigoso. Se acontecer algo com uma criança, quem responde?”, questiona Erica Cristina Valentim Mendes.

Rotina afetada
A mudança impacta diretamente a organização das famílias, principalmente de quem trabalha ou não tem veículo.

Flávia Cavalcante afirma que enfrenta dificuldades adicionais por cuidar de dois filhos, um deles com diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista) nível 3 de suporte, além de outro com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).

“Já tenho uma rotina difícil. Agora preciso me preocupar com isso também. Não sabemos nem como vai funcionar. O ônibus vai passar e barrar a criança?”, relata.

Segundo ela, mães já registraram protocolo na prefeitura solicitando esclarecimentos.

A escola é a Emefei Anália de Lucca Furlan no bairro Cruzeiro do Sul. Foto: Ana Machado/ TV TODODIA

Questionamentos
Outro ponto levantado pelas famílias é o fato de o transporte sempre ter sido oferecido no bairro.

“Sempre teve transporte. Agora dizem que vai acabar de repente. Por quê?”, questiona uma das mães.

Há também dúvidas sobre a motivação da mudança.
“Se não atendia a metragem, por que não cortaram antes? Será que é distância ou corte de verba?”, questiona Liliane de Souza Batista.

Histórico
Segundo relatos, situação semelhante ocorreu em 2025 em outra unidade do bairro, quando o transporte escolar foi interrompido e afetou ao menos 17 crianças.

De acordo com as mães, parte dos alunos deixou de frequentar a unidade após a mudança.

Além do transporte, famílias também apontam problemas na alimentação escolar. Segundo os relatos, refeições completas não são oferecidas diariamente.

“Como a criança fica cinco horas na escola, sai ao meio-dia e ainda precisa caminhar no sol sem se alimentar direito?”, questiona uma mãe.

A reportagem procurou a prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste e aguarda posicionamento sobre a suspensão do transporte e os demais apontamentos.

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