História de um dos principais oposicionistas da ditadura será lançada nesta quinta, dois anos depois do previsto
Originalmente, a previsão era que o filme chegasse ao público há dois anos, mas a pandemia e um imbróglio envolvendo a Ancine, a Agência Nacional do Cinema, impossibilitaram o lançamento em ao menos duas ocasiões anteriores. Segundo Moura, “Marighella” foi censurado pelo órgão por ser uma biografia de Carlos Marighella, guerrilheiro comunista que lutou contra a ditadura militar.
Com Seu Jorge na pele do guerrilheiro e escritor, “Marighella” também tem Bruno Gagliasso, Adriana Esteves e Humberto Carrão no elenco e foi exibido no Festival de Berlim de 2019, onde foi aplaudido. Nem assim ganhou força para chegar logo às salas brasileiras.
O principal feito do filme é provavelmente o de pôr em primeiro plano a negritude do político, num gesto explícito de propor um retrato não hegemônico da militância contra a ditadura. Diferentemente de outras narrativas audiovisuais que recriam o período, em geral protagonizadas por estudantes brancos de classe média ou alta, “Marighella” traz à tona a diversidade dos militantes da Ação Libertadora Nacional, movimento integrado por mulheres e homens, jovens e não tão jovens, estudantes e operários, brancos e pretos, sudestinos e nordestinos, solteiros e pais de família.
Sua estreia, no mês da Consciência Negra -mais precisamente neste 4 de novembro, dia em que Marighella morreu-, contribui para preencher lacunas de uma história com enormes repercussões no presente.





