Ziraldo Alves Pinto tinha apenas seis anos quando viu seu primeiro desenho estampar uma página de jornal. Na época, foi sua mãe quem enviou o trabalho ao extinto jornal Folha de Minas.
Para celebrar os 80 anos desde aquela primeira publicação do pai da Turma do Pererê e do Menino Maluquinho, entra em cartaz nesta sexta-feira (12) megaexposição “Ziraldo… de A a Zi”, no Sesc Interlagos.
“É a maior exposição já feita de Ziraldo, com mais de 500 obras”, diz Ricky Goodwin, um dos curadores da mostra, que é gratuita.
Ziraldo não vai à inauguração, após o AVC (acidente vascular cerebral) sofrido em 26 de setembro. Hoje, ele se recupera, ainda no hospital.
Desenvolvida ao longo de dez meses, a exposição foi criada por Daniela Thomas, filha do desenhista, Adriana Lins, sobrinha dele, e Goodwin, que trabalha com o cartunista há 47 anos. “É como um segundo pai”, brinca ele.
O espaço será dividido em três camadas: obras, criação e referências. Em vez de legendas, cada obra terá as histórias e anedotas de que Ziraldo se recorda.
Trata-se de uma retrospectiva que pretende reunir os avós, fãs da revistinha do Pererê, os pais, que cresceram com o Pasquim (jornal satírico de 1969 a 1991), e os filhos e netos, que gostam do Menino Maluquinho.
Para a mostra, Ziraldo abriu seus arquivos e deixou mostrar desenhos mais frágeis, do início de carreira. Não vetou nem dirigiu, como conta a filha, nem quis ver muito do projeto. Só perguntou se ficaria “direitinho”.
Serão expostos, ainda, desenhos que ele fez nas quatro vezes em que foi detido pela ditadura (1964-85), devido à oposição de O Pasquim ao regime. Nessas ocasiões, desenhava limoeiros que imaginava no pátio.
Atividades para brincar, interagir e desenhar completam a mostra. “Nada muito digital, pois Ziraldo é meio avesso a isso”, diz Daniela.
MÉTODOS ANTIGOS
O mundo digital passa longe de Ziraldo. O mineiro de Caratinga gosta mesmo é de desenhar arqueado sobre a prancheta ou a mesa de jantar. Faz e refaz desenhos, até atingir a proporção exata.
A recordação é da filha Daniela, da época em que ela ainda vivia na casa do pai. Quando não seguia essa descrição, estava na máquina de escrever. “Ele tem orgulho do diploma de datilógrafo, até mais do que do de direito.”
O xerox, diz, foi o mais avançado que chegou: “Corta, cola e refaz o xerox até chegar aonde quer”.
Hoje, ele também investe em trabalhos originais, lançando novos livros e personagens. Mas para o Menino Maluquinho, por exemplo, tem desenhista e cores específicos para fazê-lo.
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