O que começou como um desafio pessoal se transformou em uma rede de apoio. A Amai (Associação de Monitoramento dos Autistas Incluídos) completou 15 anos de atuação em Santa Bárbara d’Oeste, oferecendo atendimento gratuito a 81 pacientes de até 18 anos.
A iniciativa nasceu dentro de casa, a partir da experiência da cofundadora e presidente, Eufrásia Agisio, com o filho, Victor. O trabalho começou com sete alunos e foi ampliado ao longo dos anos. “Sabemos o quanto é difícil receber o diagnóstico. Quando recebi o diagnóstico de autismo do meu filho, falei que reescreveria a história de vida dele”, conta.

Cuidar de quem cuida
A rotina de famílias que exigem cuidados constantes pode provocar exaustão, falta de sono e isolamento. Esse desgaste se acumula com o tempo e pode afetar a saúde física e mental de mães e outros familiares responsáveis pelo acompanhamento diário.
Segundo a psicóloga Cíntia Soares de Almeida, que atua na Amai, muitas mães deixam de ter hobbies e passam a não se reconhecer para além da maternidade. “Reconhecer que essas mães também precisam de cuidado não é sobre fragilidade, é uma questão de saúde pública”, afirma.
Olhar para a família
Para enfrentar esse cenário, a instituição amplia o atendimento aos familiares. A associação considera que o bem-estar das crianças está ligado à saúde de seus cuidadores e que, para o filho se desenvolver, a mãe também precisa de amparo. “A Amai nasceu em cima de tudo o que eu vivi com o Victor, todas as dificuldades. As terapias, a inclusão da rede regular de ensino. Então, assim como lutei para que ele tivesse acompanhante em sala, fonoaudióloga e psicopedagoga, nós também proporcionamos isso aos pacientes”, relata Eufrásia Agisio.
O desgaste também é agravado pela falta de divisão das responsabilidades dentro de casa. Em muitos casos, o diagnóstico vem acompanhado de solidão, e as mães precisam conciliar sozinhas os cuidados em tempo integral com as despesas e a manutenção da renda familiar.
A psicóloga Cíntia Soares de Almeida afirma que 95% das famílias atendidas pela Amai são formadas por mães solo, muitas delas com mais de um filho. “Então, elas têm essa sobrecarga das responsabilidades, uma rotina extremamente cheia de terapias. Não conseguem ter um emprego formal e acabam com a situação financeira um pouco mais difícil, não conseguem ter uma renda fixa”, descreve.

Saúde mental
Em meio a uma rotina intensa, o acesso a espaços de escuta e orientação pode ajudar as cuidadoras a lidar com a sobrecarga. Para a psicóloga, o acompanhamento deve incluir psicoterapia e a possibilidade de trocar experiências com outras mães que enfrentam situações semelhantes.
Além da psicoterapia, Cíntia recomenda a participação em grupos terapêuticos e a retomada de atividades pessoais, como hobbies. Compartilhar experiências com outras mães pode ajudar a reduzir a sensação de isolamento e tornar a rotina mais administrável.
Buscar ajuda pode ser difícil para quem está acostumada a assumir todas as responsabilidades. O reconhecimento da necessidade de cuidado, no entanto, permite que essas mulheres procurem apoio e incluam a própria saúde na rotina familiar.
No final de agosto, o Ministério da Saúde lançou, por meio do aplicativo Meu SUS Digital, um serviço de apoio psicológico remoto com até dez sessões gratuitas voltadas a mães atípicas e cuidadoras.

Para acessar o serviço
• Clique em “Miniapps”.
• Selecione “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.
• Na plataforma da AgSUS (Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS), preencha o cadastro.
• Informe se vive ou viveu alguma situação de violência ou se cuida de uma pessoa com deficiência, transtorno do neurodesenvolvimento ou doença rara.
Depois do cadastro, a equipe entra em contato em até 24 horas para que a usuária escolha a data e o horário da consulta. Até o atendimento, são enviados lembretes e, no dia agendado, o link de acesso à teleconsulta.
Como ajudar a Amai
Quem deseja fortalecer a rede de apoio municipal pode contribuir com doações ou destinar à instituição os créditos do programa Nota Fiscal Paulista. A associação fica na Rua Dona Margarida, 1628, no Centro de Santa Bárbara d’Oeste.
O telefone é 3628-9310. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Neste Setembro Amarelo, a iniciativa também reforça a importância de cuidar da saúde mental de quem dedica a rotina ao acompanhamento dos filhos.





