
Produzido pela TV TODODIA, o documentário resgata a história da Romi-Isetta, um dos principais marcos da industrialização brasileira e o primeiro carro nacional produzido em série.
Dividida em cinco episódios, a produção aborda os aspectos técnicos e a engenhosidade do veículo, além da trajetória empreendedora de Américo Emílio Romi, da união da família, da relação com Santa Bárbara d’Oeste e do legado educacional e social da Fundação Romi.
Início da história
O primeiro episódio apresenta o Brasil dos anos 1950, quando o país praticamente não produzia automóveis, e destaca a trajetória de Américo Emílio Romi. Segundo o neto, Cláudio Romi Zanaga, ele era um empreendedor obstinado e trabalhava incansavelmente. Veja o primeiro episódio.
A Romi-Isetta é descrita como um veículo que chegou “muito antes do seu tempo”, segundo o historiador Antonio Carlos Angolini. O conceito surgiu na Europa pós-Segunda Guerra Mundial como uma alternativa que combinava características de motocicleta e automóvel, oferecendo proteção contra as condições climáticas.
Em 1955, Américo Emílio Romi e o enteado, Carlos Chiti, viajaram para a Itália para obter a licença de fabricação do veículo. O carro foi lançado em 5 de setembro de 1956, com 16 exemplares apresentados em um desfile em São Paulo.
Na ocasião, o governador de São Paulo, Jânio Quadros, e a esposa, Eloá, passearam em uma Romi-Isetta. Entre 1956 e 1961, mais de 3 mil unidades foram produzidas em Santa Bárbara d’Oeste. O episódio termina com a participação do modelo na caravana de integração nacional rumo a Brasília.
Da fábrica de Santa Bárbara a Brasília
O segundo episódio detalha a participação da Romi-Isetta na caravana que seguiu para Brasília. Durante o trajeto, o presidente Juscelino Kubitschek fez questão de desfilar no carro, com a capota aberta, acenando para o público. Veja o segundo episódio.
O episódio também apresenta detalhes técnicos do veículo. Os primeiros modelos, produzidos até 1958, tinham motor italiano de dois tempos. Em 1959, a Romi-Isetta passou a utilizar o motor BMW de quatro tempos, que oferecia mais torque e potência.
As informações são apresentadas no ateliê de restauração de Cláudio Romi Zanaga, em São Paulo. Ele mostra veículos restaurados, detalhes da estrutura e até o último protótipo que seria fabricado.
Eugênio Chiti, filho de Carlos Chiti, também explica que a Romi-Isetta foi inspirada em conceitos aeronáuticos pelo projetista original, um engenheiro de aviação. O carro tinha boa aerodinâmica, porta frontal semelhante à de aviões de carga e motor central, entre os eixos, o que garantia distribuição de peso e estabilidade.
O historiador Antonio Carlos Angolini também destaca a atuação de Emílio Romi como prefeito de Santa Bárbara d’Oeste. Durante o mandato, ele participou da captação de água na região de Ribeirão dos Toledos.
O falecimento de Emílio, em 1959, interrompeu a rotina da cidade durante um cortejo que reuniu milhares de pessoas. A união dos filhos, porém, manteve a empresa em atividade.
Fundação Romi e o legado social
O terceiro episódio aborda as ações sociais de Américo Emílio Romi e da esposa, Olímpia, que levaram à criação da Fundação Romi, em 29 de junho de 1957. Veja o terceiro episódio.
A instituição foi estruturada sobre três pilares: saúde, educação e recreação. Entre os destaques está a parceria histórica com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), iniciada em 1958 com a escola de mecânica, que formou mais de 20 mil profissionais para a indústria da região.
A história é contada por Adriana Romi, filha de Romeu Romi e presidente do Conselho da Fundação Romi. Atualmente, a instituição mantém a escola, que atende cerca de 800 alunos e adota a metodologia socioconstrutivista, sem apostilas e com foco em temas geradores.
O episódio também apresenta o Centro de Documentação da Fundação Romi, o Cedoc, sob a perspectiva de Octávio Luiz Wakabara, superintendente da instituição. O espaço preserva, de forma controlada, cerca de 200 mil documentos e acervos históricos, incluindo materiais relacionados à Romi-Isetta.
Parte desse conteúdo está disponível on-line desde 2005 para pesquisas. O acervo ajuda a preservar registros da trajetória da empresa, da família Romi e do desenvolvimento industrial de Santa Bárbara d’Oeste.
O carro que virou memória afetiva
O quarto episódio mostra a conexão das pessoas com o veículo e o significado da Romi-Isetta para Santa Bárbara d’Oeste e a região. Veja o quarto episódio.
O episódio acompanha a história de um pai e seus dois filhos, que passaram dois anos e meio reconstruindo artesanalmente uma réplica da Romi-Isetta a partir de uma carcaça antiga.
Para concluir o projeto, a família utilizou fibra de vidro, soldas de cano e um motor semiautomático de motocicleta Honda Biz, com marcha à ré adaptada.
Construído em Rio Claro por Américo Rakoci, o veículo chama a atenção por onde passa. O episódio mostra o processo de construção, as motivações e a relação da família com o carro, que ganhou a forma de uma Romi-Isetta.
A presença da fábrica da Romi também aparece como parte da identidade local. Praticamente todo morador da região tem algum parente que trabalhou na linha de montagem ou manteve alguma relação com a história do modelo.
A família por trás do pioneirismo
O último episódio aborda as origens e a dinâmica da família Romi. A produção revela que Emílio foi ferido durante a Primeira Guerra Mundial e conheceu a esposa, Olímpia, que era enfermeira, em um hospital militar. Veja o quinto episódio.
Depois de vir para o Brasil, Emílio enfrentou dificuldades, como a perda da oficina durante a Revolução de 1924, em São Paulo, e o desemprego provocado pela crise de 1929. Ele recomeçou em um galpão de Santa Bárbara d’Oeste.
Em 1944, inaugurou a fábrica matriz e construiu a Vila Romi para abrigar diretores e gerentes. O episódio também destaca tradições familiares, como os almoços de domingo que reuniam os parentes.
As memórias são apresentadas pela terceira geração da família, representada por Adriana Romi, Eugênio Chiti e Cláudio Romi Zanaga. Américo Emílio Romi também previu a necessidade de veículos urbanos diante do êxodo rural.

Ele entendia que a fabricação de automóveis poderia impulsionar a venda de máquinas-ferramenta da própria Romi para fabricantes de autopeças. Ao final, o documentário mostra o valor afetivo que a Romi-Isetta mantém entre as novas gerações da família, empenhadas em preservar essa memória.
A produção homenageia o pioneirismo de Américo Emílio Romi e o legado mantido por Cláudio Romi Zanaga e por toda a família Romi.





