No trânsito, os dados mais recentes indicam um cenário de atenção nas cidades da região. Informações do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito do Estado de São Paulo) apontam a dimensão dos casos registrados nos municípios.
Alertas em Piracicaba, Campinas e Limeira
Entre as cidades com mais de 300 mil habitantes, Piracicaba aparece entre as maiores taxas proporcionais de mortes no trânsito. Foram 68 óbitos no período analisado, o que representa cerca de 16 vítimas a cada 100 mil moradores.
Campinas ocupa a 11ª posição no ranking, com 129 mortes registradas e taxa de 11,31 por 100 mil habitantes.
No grupo de cidades com população entre 150 mil e 300 mil habitantes, Limeira aparece entre os primeiros colocados, com 59 mortes em 12 meses e taxa de 20,13 por 100 mil moradores.

Indicadores da Emdec
Para analisar os dados e as ações adotadas, o coordenador de fiscalização e operação de trânsito da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), Marcelo Carpenter, detalhou os indicadores utilizados pelo município.
“Os nossos indicadores, geralmente os mapas de calor que acompanhamos como instituição de trânsito, compõem o mapa de sinistralidade da cidade. Colhemos informações sobre sinistros com vítimas fatais e sequelas severas permanentes para direcionar fiscalizações, tanto no ambiente físico quanto no digital, visando coibir comportamentos de risco de condutores habilitados e não habilitados”, afirma Carpenter.
| Em 2026 – Campinas (Emdec) | % |
| 6 óbitos em vias urbanas: | QUEDA DE 63% |
| 15 óbitos em vias urbanas + rodovias: | QUEDA DE 40% |
Aumento da fiscalização de trânsito
A Emdec informa redução no número de mortes em comparação ao ano anterior. Segundo o coordenador, um dos fatores associados à queda é a Lei 14.599, de junho de 2023, que ampliou a atuação das Guardas Municipais na fiscalização de trânsito.
“Tivemos uma redução de 63% nos óbitos em Campinas, sendo 52% no ambiente urbano e 48% nas rodovias que cortam a cidade. Esses dados refletem o reforço da fiscalização municipal, tornada mais efetiva pela Lei 14.599, de junho de 2023. Essa legislação compartilhou a competência, antes exclusiva do Estado, com os agentes municipais e, via convênio, com a Guarda Municipal. As operações permitem a abordagem de veículos e condutores para verificar itens de segurança e habilitação. Em 2025, chegamos a registrar operações onde 50% dos abordados não eram habilitados”, declara Marcelo Carpenter.
| 10 condutas de risco que mais apareceram nas 21 blitzes realizadas em março pela Emdec |
| 1º) Recusar testes de alcoolemia: 15% |
| 2º) Licenciamento irregular: 13,8% |
| 3º) Escapamento defeituoso, ineficiente, inoperante, sem silenciador: 10,8% |
| 4º) Pneu liso/“careca” (mau estado de conservação): 6,6% |
| 5º) Condutor sem habilitação: 6,5% |
Além do perfil dos condutores, o monitoramento da Emdec identifica pontos críticos da cidade. O coordenador destacou regiões com maior incidência de ocorrências e que concentram ações de fiscalização.
“Mapeamos a cidade como um todo, focando nos principais eixos viários e nos acessos aos municípios da região metropolitana. Identificamos, por exemplo, que a região da John Boyd Dunlop ainda apresenta um alto índice de vítimas fatais envolvendo o consumo de álcool, o que nos faz concentrar as ações ali. Também atuamos na saída para Sousas, Barão Geraldo e na rodovia Campinas-Mogi. Outro ponto crítico é a Avenida Norte-Sul, devido à intensa vida noturna. Iniciamos o enfrentamento nessas áreas principais e temos registrado redução no número de óbitos”, explica Carpenter.
Impactos nos condutores
A presença das equipes nas ruas também atua de forma preventiva, incentivando mudanças de comportamento entre motoristas.
Entre os fatores de risco, a fiscalização de alcoolemia passou a ter maior peso nas operações, ampliando o controle sobre a condução sob efeito de álcool.
“Anteriormente, não tínhamos a questão da alcoolemia envolvida em nossas operações. Os principais fatores de risco eram o excesso de velocidade, condutores não habilitados, estacionamento proibido e veículos sem licenciamento. Com a inclusão da alcoolemia nas ações, houve mudança nas abordagens. É importante destacar que as operações são realizadas em conjunto com a Polícia Militar ou com a Guarda Municipal, garantindo segurança nas ações”, afirma o coordenador.
A percepção de risco também impacta o comportamento da população. Relatos apontam que alguns motoristas evitam determinados horários ou trajetos diante da possibilidade de encontrar condutores sob efeito de álcool.
“Temos relatos de pessoas que, mesmo sem consumir bebida alcoólica, evitavam sair à noite pelo medo de se envolverem em sinistros causados por terceiros. A sensação de segurança que buscamos é garantir que todos possam dirigir com responsabilidade, sabendo que podem ser fiscalizados a qualquer momento. Isso tende a melhorar a conduta e a regularidade dos veículos”, afirma Carpenter.

Respeito no trânsito
O coordenador destaca que o cumprimento das normas é fundamental para a segurança coletiva. “O trânsito seguro envolve ética e cidadania. Manter o veículo em condições adequadas, documentação regular e não dirigir após consumir álcool são medidas que contribuem para a segurança de todos. As operações buscam retirar de circulação comportamentos de risco e reforçar a importância do respeito às regras”, afirma.
Planos e metas
Campinas busca reduzir pela metade as mortes no trânsito até o fim desta década, alinhando-se à meta estabelecida pela ONU (Organização das Nações Unidas). “O Plano de Segurança Viária de Campinas, com vigência até 2032, tem como meta reduzir em 50% as mortes no trânsito. Esse resultado depende da integração entre fiscalização e educação, com ações voltadas à conscientização da população”, conclui Carpenter.
Recomendações
Em casos de emergência no trânsito ou sinistros com vítimas, o atendimento deve ser acionado pelo Samu, no 192, ou pela Polícia Militar, no 190.
Para ocorrências relacionadas à circulação e sinalização em Campinas, o contato com a Emdec pode ser feito pelo telefone 118, com atendimento 24 horas, ou pelo WhatsApp (19) 3731-2910.





