segunda-feira, 22 julho 2024
Opinião

Magnificat

Por
Ailton Gonçalves Dias Filho
Foto: Arquivo Pessoal

Do grande material das narrativas evangélicas sobre o nascimento de Jesus Cristo, devemos a Lucas a maior parte. É ele, por exemplo, que registra os três cânticos natalinos que passaram para a história com seus títulos em latim, registrados da magistral tradução de São Jerônimo, a Vulgata. O Magnificat, o Benedictus e o Nunc Dimittis, material exclusivo de Lucas.

Quero me ater ao cântico de Maria, que, por sua vez, inspira-se no cântico de Ana, registrado no primeiro testamento no livro primeiro de Samuel. É possível ver as semelhanças literárias girando em torno dos grandes temas. Primeiro, o cuidado divino com os pobres e pequeninos. Segundo o cântico mostra Israel como objeto da graça de Deus. Mas, não somente Israel, todos os povos são objetos da graça maravilhosa de Deus.

Maria tem plena consciência da amplitude do agir de Deus. Seu cântico é pura exaltação da ação de Deus na história humana, exaltando os de coração humilde que temem ao Senhor. O agir de Deus desarticula os que alimentam pensamentos soberbos. Deus derruba de seus tronos os poderosos e exalta os humildes como Maria, que, docemente, se submete à vontade do Soberano Senhor para acolher o Verbo Eterno de Deus.

Quando celebramos os Natal é preciso ter consciência que estamos celebrando o maior mistério da fé. É a Divindade Suprema que resolve ser um de nós, usando pessoas simples como Maria. Ela tem consciência de seu privilégio e responsabilidade. Chega, em seu cântico, registrar como as gerações futuras iriam considerá-la desde então. Acertou em cheio. De fato, Maria é uma mulher diferenciada. Como são diferenciadas todas as mulheres que se submetem à vontade soberana do Criador. Fazem proezas e mudam o curso da história. “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador”, disse Maria.

Que preciosidade é o “Magnificat”! Que preciosidade é o Natal de Jesus Cristo. Nele somos instados a lembrar que a misericórdia de Deus em favor da humanidade dura para sempre, qual seja, não tem prazo de validade. Que o cântico de Maria nos inspire neste tempo de advento, ajudando-nos em nossa preparação para a grande celebração do Natal.

“A minha alma engrandece ao Senhor…”

É isso.

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