A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (2), a Operação Benaia, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo um ex-chefe da Receita Federal em Itajaí (SC). Segundo os investigadores, o servidor teria recebido pelo menos R$ 2 milhões em vantagens indevidas para favorecer empresários ligados aos setores de importação, exportação e logística em processos aduaneiros.
Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado, familiares e empresários. A região de Campinas concentrou metade das buscas realizadas durante a operação. Dos 24 mandados expedidos pela Justiça, 12 foram cumpridos na região, sendo oito em Campinas, dois em Paulínia, um em Hortolândia e um em Valinhos. Além disso, Campinas foi a cidade com o maior número de alvos da operação em todo o país. Também houve cumprimento de mandados na grande São Paulo, em Guarulhos, São Paulo, Barueri e Santana de Parnaíba, além de Itajaí (SC).
Operação para interromper o esquema
De acordo com o delegado da Polícia Federal, Christian Luz Barth, a operação busca interromper um esquema que teria beneficiado empresários em troca de pagamentos e vantagens ao então servidor público. “A operação foi deflagrada para obstar um esquema de corrupção envolvendo um servidor público federal, com indícios de recebimento de cerca de R$ 2 milhões por ter beneficiado empresários do setor logístico da região de Itajaí”, afirmou.
A Justiça determinou o afastamento do servidor de suas funções públicas enquanto as investigações prosseguem.

Dinheiro, relógios e documentos foram apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes localizaram dinheiro em espécie, relógios de alto valor, veículos e documentos que agora serão analisados pela Polícia Federal.
Segundo Christian Luz Barth, uma das apreensões ocorreu na residência de um empresário. “Foram encontrados cerca de R$ 515 mil em espécie, além de moedas estrangeiras, contratos, documentos e diversos bens. Agora vamos analisar esse material para identificar toda a extensão dos fatos e eventuais outros envolvidos”, afirmou.
Suspeita de pagamento de despesas pessoais
As investigações apontam que, enquanto ocupava a chefia da Receita Federal em Itajaí, o servidor possuía influência direta sobre processos ligados ao comércio exterior. A suspeita é de que empresários beneficiados por decisões administrativas tenham custeado despesas pessoais do investigado.
Entre os pagamentos identificados estariam aluguel de imóvel de alto padrão, despesas de cartão de crédito e até viagens internacionais. “Identificamos indícios de incompatibilidade entre o patrimônio e a renda do servidor. Ele residia em um imóvel com aluguel de R$ 14 mil que era pago por empresários beneficiados. Também havia pagamento de despesas de cartão de crédito e uma viagem ao exterior custeada por um empresário”, disse o delegado.

Investigação continua
A Polícia Federal apura os crimes de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Os investigadores também suspeitam que empresas registradas em nome de familiares do ex-servidor tenham sido utilizadas para ocultar recursos supostamente obtidos de forma ilícita.
Todo o material apreendido será submetido à perícia e poderá auxiliar na identificação de novos envolvidos e de outros possíveis crimes relacionados ao esquema.
*Atualizado às 13h07.





