quarta-feira, 14 janeiro 2026
BILHÕES DE REAIS SONEGADOS

Gaeco e PM fazem operação em Campinas e Paulínia contra fraude fiscal no setor de combustíveis

Ação cumpriu cinco mandados na região e integra investigação nacional sobre sonegação e lavagem de dinheiro que pode superar R$ 9 bilhões
Por
Thayla Nogueira

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Militar cumpriram, nesta quinta-feira (27), mandados de busca em Campinas e Paulínia para apurar um esquema de fraude fiscal de grande proporção. Segundo a PM, empresários e administradores de diversas empresas teriam causado prejuízo superior a R$ 9 bilhões ao Estado de São Paulo entre 2007 e 2024.

Ao todo, cinco mandados de busca e apreensão foram executados na região: dois em Campinas e três em Paulínia. Na capital do interior, um dos endereços alvo fica na Rua Padre Vieira, no Cambuí. As equipes apreenderam documentos e materiais que podem auxiliar na identificação do funcionamento do esquema, que teria envolvido fraude no recolhimento de ICMS em larga escala.

Ao todo, cinco mandados de busca e apreensão foram executados na região: dois em Campinas e três em Paulínia. Foto: Divulgação.

Investigação envolve Cira-SP, Receita Federal e Procuradoria da Fazenda
A operação integra o trabalho do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-SP), com apoio da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional. As apurações apontam que o grupo investigado utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e operações internacionais para ocultar patrimônio e movimentações financeiras.

Operação nacional cumpre 126 mandados em cinco estados
A ofensiva na RMC faz parte de uma operação nacional que cumpriu 126 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Bahia. Todas as ações estão relacionadas ao mesmo esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo o setor de combustíveis.

De acordo com a Receita Federal, o grupo é o maior devedor do país, com mais de R$ 26 bilhões em dívidas tributárias. As empresas e pessoas investigadas já tinham sido citadas na investigação Carbono Oculto, deflagrada em 2025. As análises indicam que, em apenas um ano, a organização movimentou mais de R$ 70 bilhões por meio de uma rede complexa de empresas no Brasil e no exterior, com suspeita de ocultação de origem dos valores.

Atuação incluía importação, distribuição e postos de combustíveis
Os investigadores afirmam que a atuação do grupo abrangia toda a cadeia de combustíveis. Importadoras ligadas à organização compravam nafta, diesel e derivados no exterior. Em seguida, distribuidoras e postos associados deixavam de recolher impostos de forma recorrente, ampliando o prejuízo aos cofres públicos.

O nome da operação faz referência ao primeiro poço de petróleo perfurado no Brasil, em 1939, no bairro Lobato, em Salvador (BA).

Operação continua e materiais serão analisados
As ações seguem em andamento, e os materiais apreendidos passarão por análise dos órgãos responsáveis. Os suspeitos poderão responder por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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