Um homem de 45 anos investigado por aplicar o golpe conhecido como “Boa Noite Cinderela” foi preso em uma kitnet na Rua Nova, em Jacarepaguá, na comunidade Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, na terça-feira (19).
A ação foi conduzida pela UPJA de Piracicaba, em conjunto com a DVRCC/DRCI da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Além do golpe, o suspeito também responde por roubo, estupro de vulnerável e uso de documentos falsos.

Vítima ficou desacordada por dois dias
As investigações começaram após um morador de Piracicaba procurar a Polícia Civil no dia 6 de abril deste ano.
Segundo o boletim de ocorrência, a vítima relatou que conheceu o investigado por meio de um aplicativo de relacionamento voltado ao público LGBTQIAPN+. O encontro ocorreu em 31 de março, quando o suspeito foi levado ao apartamento da vítima e passou a noite no local.
No dia seguinte, durante um jantar, ele teria colocado uma substância sedativa na comida da vítima. O homem perdeu a consciência e só acordou dois dias depois, em 3 de abril.
Durante o período em que permaneceu desacordada, a vítima teria sofrido abusos sexuais e prejuízos financeiros causados por movimentações bancárias não autorizadas.
Transferências e furtos
De acordo com a investigação, o suspeito fez transferências via PIX, compras em cartões de crédito, contratação de empréstimos e outras operações sem autorização.
Também foram levados objetos da vítima, entre eles um celular da Apple e dois carregadores portáteis. Após recuperar a consciência, a vítima pediu ajuda a vizinhos e familiares antes de registrar a ocorrência.
Foragido e com documentos falsos
Durante a apuração, a polícia recuperou imagens de câmeras de segurança que mostram o suspeito saindo do condomínio da vítima com bolsas e malas contendo pertences. O Setor de Investigações Gerais da UPJA o identificou e descobriu que ele já era procurado pela Justiça desde 2024.
Havia mandados de prisão expedidos por São Paulo e Santa Catarina. A investigação também encontrou outros registros policiais ligados a roubo, extorsão e estupro de vulnerável, incluindo um caso envolvendo um adolescente de 13 anos no Rio de Janeiro.
Exames toxicológicos apontaram que a substância usada para sedar a vítima era clonazepam. A polícia afirma ainda que o investigado utilizava pelo menos três nomes falsos, mais de 40 linhas telefônicas e diversas contas bancárias, inclusive em nome de pessoas jurídicas.
Prisões e apreensões
Com base nas informações levantadas pela equipe de Piracicaba, policiais da DVRCC/DRCI localizaram o suspeito escondido em uma kitnet em Jacarepaguá.
No momento da abordagem, ele apresentou documentos falsos e recebeu voz de prisão em flagrante por uso de documento falso. Também foram cumpridos três mandados de prisão em aberto contra ele.
Durante a operação, os policiais apreenderam documentos falsificados, cartelas de clonazepam e três passaportes com nomes falsos. A polícia acredita que ele planejava deixar o país.
A Polícia Civil de São Paulo destacou a importância da integração entre as forças de segurança estaduais para a captura do suspeito, classificado como de alta periculosidade.





