sexta-feira, 15 maio 2026
ACIDENTE FATAL

MP-SP denuncia motorista por morte de motociclista em Americana e pede indenização de 200 salários mínimos

A denúncia foi apresentada com base em homicídio qualificado por dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de matar
Por
Cristiani Azanha
Acidente aconteceu em abril de 2025. Foto: Reprodução

O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) denunciou uma motorista pela morte da motociclista Isabela Rodrigues Amorim Bezerra, de 24 anos, em um acidente ocorrido no cruzamento da Avenida Monsenhor Bruno Nardini com a Rua da Agricultura, em Americana, em abril de 2025.

A denúncia foi apresentada com base em homicídio qualificado por dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de matar. Segundo o MP, a motorista dirigia em alta velocidade, avançou o sinal vermelho e colocou diversos motoristas e pedestres em risco antes da colisão fatal. Também pediu indenização no valor de 200 salários mínimos aos pais e ao marido da vítima, incluindo danos morais.

Enquanto o processo avança na Justiça, familiares e amigos da vítima realizaram uma passeata pedindo responsabilização pela morte da jovem.

Acidente aconteceu em cruzamento de Americana
De acordo com a investigação, o acidente aconteceu no dia 24 de abril de 2025, por volta das 13h. Isabela conduzia uma motocicleta Honda/PCX e atravessava o cruzamento com o semáforo aberto quando foi atingida violentamente por um Toyota Yaris dirigido pela denunciada.

Conforme laudo pericial complementar citado pelo MP, o veículo trafegava a cerca de 89 km/h em um trecho urbano onde o limite permitido era de 60 km/h.

A promotoria sustenta ainda que a condutora percorreu a avenida em alta velocidade, sem reduzir nem frear ao chegar ao cruzamento, avançando o sinal vermelho antes da batida.

O impacto arremessou Isabela e provocou múltiplos ferimentos graves. O exame necroscópico apontou traumatismo craniano, trauma torácico, trauma abdominal, laceração pulmonar e hemorragia interna traumática aguda causada por politraumatismo.

Julgamento pelo Tribunal do Júri
Na denúncia, o MP enquadrou a motorista com as qualificadoras de perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Segundo o documento, a motociclista foi surpreendida de forma repentina pela colisão e não teve possibilidade de reação.

A Promotoria também destacou imagens de monitoramento, laudos periciais e depoimentos de testemunhas que, segundo a acusação, confirmam o avanço do sinal vermelho e a condução em velocidade incompatível com a via.

O MP afirmou ainda que testemunhas relataram uma suposta postura de indiferença da motorista após o acidente, apontando que ela não teria prestado auxílio efetivo à vítima.

Além da responsabilização criminal, o MP pediu à Justiça a fixação de indenização mínima de 200 salários mínimos 

O advogado Renan Farah, que representa a condutora afirmou que não concorda com a denúncia e adiantou os argumentos que a defesa irá usar no caso.

“Não houve o dolo eventual é aceito em acidente quando há racha, ou consumo de álcool, mas não existiu isso. Essa interpretação é para a condenação a todo custo e nunca foi a nossa intenção. Ainda vai passar pelo crivo do juiz, e se acharmos necessário, vamos pedir habeas corpus”, relatou Farah.

Familiares e amigos realizaram passeata
Em novembro de 2025, familiares e amigos organizaram uma passeata em homenagem a Isabela e em defesa de justiça pelo caso.

O ato saiu da frente do Tivoli Shopping, em Santa Bárbara d’Oeste, e seguiu até o cruzamento onde ocorreu o acidente.

Vestidos com camisetas estampadas com a foto da jovem e segurando cartazes, os participantes fizeram homenagens e cobraram punição aos responsáveis.

Durante a manifestação, a mãe de Isabela, Raquel da Silva Rodrigues Bezerra, falou sobre a dor da perda da filha. “Ela era a minha melhor amiga, minha sócia no trabalho, uma excelente filha e esposa. Queremos que a justiça seja feita, porque a dor da perda de Isabela é muito grande”, desabafou a mãe.

Receba as notícias do Todo Dia no seu e-mail
Captcha obrigatório

Veja Também

Veja Também