
Um grupo de quatro empresas de Sumaré foi alvo, na manhã desta quinta-feira (14), de uma operação da Polícia Civil e da Controladoria Geral do Estado de São Paulo que investiga possíveis fraudes e irregularidades envolvendo contratos com o Programa Ligado, que faz o transporte gratuito de cerca de 50 alunos com deficiência na cidade.
Segundo a apuração, o esquema investigado pode ter gerado um prejuízo potencial de mais de R$ 590 mil aos cofres públicos estaduais. O grupo de empresas com quadros societários comuns teria sido possivelmente criado para burlar as regras do edital de chamamento público de credenciamento da extinta EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo) para o serviço de transporte especial de alunos.
Mandados
A Operação Caminho Protegido cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em endereços nas cidades de Sumaré, Campinas, Guarulhos, São Paulo, Santo André e São Caetano do Sul, além do estado de Goiás.
A ação busca apreender documentos, equipamentos eletrônicos, registros contábeis e financeiros, além de outros elementos considerados relevantes para o esclarecimento dos fatos.
Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Segurança Pública do Estado não havia divulgado um balanço da operação, nem confirmado quantos mandados foram cumpridos especificamente em Sumaré.
Irregularidades no credenciamento
A investigação apura possíveis irregularidades durante o processo de credenciamento no programa, incluindo o uso de documentos falsos, inconsistências administrativas e atuação coordenada entre as empresas investigadas.
A denúncia à Controladoria foi apresentada pela própria Secretaria Estadual de Educação, que assumiu o programa da EMTU em 2025. A denúncia gerou uma auditoria da Controladoria nos contratos das empresas do chamado “Cluster Sumaré”, originário da cidade.
Segundo nota dos órgãos do Governo do Estado, “todas as empresas do grupo foram constituídas simultaneamente, no dia 20 de dezembro de 2023, e com sede comum no mesmo endereço”. Além disso, esse endereço seria de “natureza residencial e comercial, sem capacidade material para abrigar a frota operacional das quatro transportadoras”.
A reportagem não localizou contatos das empresas citadas pelo Governo do Estado na nota. O espaço segue aberto para manifestação.
Ainda segundo a nota, para participar do chamamento público para a prestação do serviço do Ligado em Sumaré, as quatro transportadoras “teriam se utilizado de atestado de capacidade técnica fraudulento, emitidos no mesmo dia da constituição (de cada uma delas), por empresas pertencentes a familiares (dos sócios), com sede na cidade de Aparecida de Goiânia/GO”.
A nota oficial acrescenta que foi estimado “um prejuízo potencial de R$ 590.234,26 previsto nas Ordens de Serviços emitidas em nome das empresas investigadas”.
Entenda o programa
O Ligado é um serviço de transporte especial porta a porta destinado a alunos com necessidades especiais nas regiões metropolitanas de São Paulo e de Campinas. Esses alunos estão matriculados na rede estadual de ensino ou em entidades assistenciais conveniadas ou credenciadas pela Secretaria de Educação.
A EMTU realizava a contratação dos prestadores por meio de editais de chamamento público, que resultavam no credenciamento dos interessados. Com a extinção da EMTU, em outubro de 2025, a Educação assumiu a gestão e manteve o último chamamento público feito pela empresa em 2023, firmando em novembro de 2025 os contratos com os prestadores que já estavam executando o serviço, para garantir a continuidade do atendimento.
Atualmente, o Ligado é composto por cerca de 790 veículos, responsáveis pelo atendimento de cerca de 4.798 alunos e 287 acompanhantes em todo o estado de São Paulo, totalizando 5.085 beneficiários.





