segunda-feira, 27 abril 2026
EM VÁRIAS REGIÕES DO ESTADO

Operação contra lavagem de dinheiro do tráfico em prefeituras tem alvo em Campinas

Campinas está entre as cidades onde foram cumpridos mandados da Operação Contaminatio, que prendeu seis integrantes de uma organização criminosa suspeita de infiltração em administrações municipais para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas
Por
Nicoly Maia e Guilherme Pierangeli
Operação acontece em várias regiões do estado. Foto: SSP

Ao menos um endereço em Campinas foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (27) durante a Operação Contaminatio, que prendeu seis integrantes de uma organização criminosa suspeita de se infiltrar em prefeituras para lavar dinheiro do tráfico de drogas. Ao todo, a ação cumpre 22 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos ligados aos investigados.

As diligências ocorreram em diversas cidades, entre elas Campinas, São Paulo, Guarulhos, Santo André, Mairinque, Ribeirão Preto e Santos. A operação também foi realizada em Goiânia e Aparecida de Goiânia (GO), Brasília (DF) e Londrina (PR).

Prefeitura na região
Ao todo, foram identificadas pelo menos seis pessoas com ligação a administrações municipais em regiões como Baixada Santista, ABC Paulista, Campinas e Ribeirão Preto. Segundo a polícia, nenhum dos investigados possui foro privilegiado ou exerce mandato eletivo.

“O que se apurou foi uma estrutura sofisticada, que buscava não apenas lucrar com atividades ilícitas, mas também se infiltrar no poder público para dar aparência de legalidade aos recursos”, afirmou o delegado Fabrício Intelizano, responsável pela investigação.

Tentativa de infiltração no poder público
Segundo a apuração, o grupo criou um “núcleo político” com o objetivo de acessar recursos públicos e ampliar a atuação criminosa. Entre as estratégias investigadas está a tentativa de influenciar eleições por meio de apoio ou financiamento de candidaturas alinhadas aos interesses da organização.

Também foi identificado o envolvimento de pessoas ligadas a administrações municipais. Entre elas, ao menos uma servidora comissionada que mantinha relação com um integrante de alto escalão do grupo.

Outro ponto investigado é a tentativa de inserir uma fintech criada pelos suspeitos para operar serviços financeiros de prefeituras, como emissão de boletos e gestão de receitas. A estrutura, segundo a investigação, poderia ser usada para dar aparência legal a dinheiro de origem criminosa.

Investigação começou em 2024
As investigações são desdobramento da Operação Decurio, realizada em agosto de 2024, quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos que indicaram um esquema de movimentação financeira ilícita.

A partir da análise do material e de dados de inteligência financeira, a Polícia Civil identificou a atuação no tráfico de drogas e também uma estrutura organizada para lavagem de dinheiro proveniente de diferentes atividades criminosas.

Posicionamento
Procurada, a Prefeitura de Campinas informou que a operação não ocorreu na administração municipal. Segundo a manifestação citada no caso, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) indicou apenas que a administração envolvida estaria na região de Campinas, sem confirmar qual município é alvo da apuração.

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