segunda-feira, 15 junho 2026
APURAÇÃO

Secretário-adjunto de Nova Odessa é alvo de operação que investiga possível elo entre PCC e prefeituras

Mateus Rosa Tognella ocupa o cargo na Desenvolvimento Econômico e Promoção Social de Nova Odessa, além de ter atuado na Prefeitura de Campinas
Por
Airan Prada, Nicoly Maia e Guilherme Pierangeli

O secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico e Promoção Social de Nova Odessa, Mateus Rosa Tognella, entrou na mira da Polícia Civil em operação que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do PCC infiltrado em prefeituras paulistas.

Na segunda-feira (27), agentes da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Mogi das Cruzes cumpriram mandados de busca e apreensão em um endereço do político, na Vila Brandina, em Campinas. Foram levados notebooks e celulares, segundo apuração da TV TODODIA.

Trabalho regional
Tognella, que também preside o PSB em Nova Odessa, atuou na Prefeitura de Campinas durante a gestão do ex-prefeito e atual deputado federal Jonas Donizette (PSB), e no início do mandato de Dário Saadi (Republicanos), que governa a cidade ao lado do vice Wanderley de Almeida, o Wandão, presidente municipal do PSB na sede da RMC (Região Metropolitana de Campinas).

Segundo os registros do Diário Oficial de Campinas, Tognella ocupou cargos de assessor técnico superior e coordenador setorial entre os anos de 2013 e 2021. Ainda de acordo com dados oficiais, a esposa dele, Rebecca Farinella Tognella, é procuradora do município.

Apuração
A investigação aponta que a facção criminosa estruturou um “núcleo político” para acessar recursos públicos e dar aparência de legalidade ao dinheiro ilícito, chegando a tentar influenciar eleições através do financiamento de candidaturas alinhadas aos seus interesses.

Além de Tognella, ao menos quatro pessoas ligadas a administrações no ABC Paulista, na Baixada Santista e em Ribeirão Preto também foram alvos da operação.

O delegado responsável pela investigação, Fabrício Intelizano, afirmou que o grupo operava uma estrutura sofisticada de infiltração no poder público. Como nenhum dos investigados possui mandato eletivo, o caso corre sem foro privilegiado.

A investigação aponta que a facção criminosa estruturou um “núcleo político” para acessar recursos públicos e dar aparência de legalidade ao dinheiro ilícito. Foto: Reprodução/Redes sociais

Outro lado
A defesa de Tognella disse que “a simples menção nominal em elementos informativos não constitui prova, tampouco autoriza conclusões precipitadas, devendo ser rigorosamente observados os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e, sobretudo, da presunção de inocência”.

Em nota, a Prefeitura de Campinas ressaltou que “a pessoa citada no caso deixou a administração no período de transição, nos dois primeiros meses de 2021. Desde então, não mantém qualquer vínculo com a Prefeitura”.

A Prefeitura de Nova Odessa relatou não ter conhecimento dos fatos citados nessa operação. A gestão alega ainda que a investigação “abrange período anterior à nomeação do secretário adjunto em Nova Odessa”. Por fim, a prefeitura afirmou que, “no que se refere ao desempenho da função do secretário adjunto na pasta, a Administração Municipal não possui informações que desabonem sua conduta”.

Procurado, o deputado Jonas Donizette afirmou que “Mateus Tognella não integra mais sua equipe e que a investigação não tem qualquer relação com as atividades desenvolvidas em seu mandato. Ressalta, ainda, que sua gestão como prefeito de Campinas se encerrou em 2020. Dessa forma, não há qualquer conhecimento sobre eventual atuação do ex-assessor Mateus Tognella no período mencionado”.

O PSB Campinas e o vice-prefeito não responderam o pedido de posicionamento da reportagem.

*Atualizado às 17h15.

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