terça-feira, 28 abril 2026

Brinco de Ouro: uma novela

Com a publicação da decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho) foi encerrada a novela de venda do estádio Brinco de Ouro , que se arrastou por 1323 dias. O “primeiro capítulo” foi no dia 12 de novembro, quando uma assembleia de sócios aprovou que o empresário Roberto Graziano tivesse preferência no ato de venda do imóvel, desde que acontecesse investimentos no departamento de futebol.

Neste período, a torcida bugrina acompanhou tudo como uma autêntica novela, mexicana em alguns momentos, mas capaz de monopolizar a audiência.

O roteiro era aberto, submetido às reviravolta. A emoção surgiu no dia 27 de novembro de 2014, quando a Justiça Federal promoveu um leilão do estádio Brinco de Ouro para a quitação de débitos fiscais.

Apesar da avaliação de peritos estipulada em R$ 400 milhões, o empresário Roberto Graziano levou todo o complexo por R$ 44,450 milhões. Um expediente que poderia ser evitado. Reportagem veiculada à época pelo TODODIA demonstrou que bastava pagar o débito que o imóvel ficaria livre.

PRIMEIRO LEILÃO
Quem pensou em ponto final, enganou-se redondamente. No dia 29 de janeiro de 2015, a própria Justiça Federal cancelou o leilão do Estádio Brinco de Ouro com a justificativa de que o valor de R$ 44.450.000,00 milhões era considerado vil e abaixo de valor de mercado. A quantia foi devolvida a Graziano.

Um novo personagem entrou em cena no dia 30 de março de 2015, quando a juíza Ana Cláudia Torres Viana em audiência pública sobre o tema, resolveu abrir para leilão e a empresa gaúcha Maxxion Empreendimentos pagou R$ 105 milhões pelo complexo do estádio.

Do total, 30% foram depositados à vista e o restante seria quitado em 12 parcelas. Detalhe: não havia garantia nenhuma de investimento no futebol ou na melhoria das instalações do clube.

ANULAÇÃO
O então presidente bugrino Horley Senna saiu a campo e além de conversas com a juíza para inverter o quadro, entrou com atos de embargo.

No dia 7 de julho de 2015, a juíza virou “mocinha” para a torcida bugrina e algoz dos representantes da Maxxion. Ela cancelou o leilão, encaminhou a entrega para a Magnum, mas estipulou a obrigação de construção de um estádio, um Centro de Treinamento e uma nova sede social, além de um patrocínio de R$ 350 mil por um período de 10 anos, e que agora está paralisado por 10 meses.

Nem assim, a Maxxion desistiu do negócio e só recebeu a negativa definitiva no dia 26 de junho com o resultado do julgamento do Tribunal Superior do Trabalho.

LONGE DO FINAL
A juíza Ana Cláudia Torres Viana acredita, entretanto que a novela está longe de um final. “Toda receita das Federações são penhoradas na Justiça. Ou seja, 80% vai para o ativo, destinado às finanças mensais, e 20% é encaminhado ao acervo para pagar as dívidas vencidas. O importante é que os trabalhadores estão sendo pagos e o passivo tem diminuído”, arrematou a juíza, que de acordo com o ex-presidente Horley Senna deveria receber um busto do clube em sua homenagem.

Os derrotados, no entanto, preferem a discrição. “Não temos comentários a fazer quanto a decisão do judiciário. Temos que acatar encerrando o assunto”, disse o empresário Cláudio Zaffari em mensagem enviada a reportagem do TODODIA.

Receba as notícias do Todo Dia no seu e-mail
Captcha obrigatório

Veja Também

Veja Também