Envolvido na luta pelas posições de destaque na Série B do Campeonato Brasileiro, a Ponte Preta terminará 2018 sem exterminar um grave problema de gestão, que é o rodízio de treinadores. A última vez na década em que a Alvinegra começou e terminou o ano com o mesmo treinador foi em 2011, quando Gilson Kleina levou a Macaca as quartas de final do Paulistão e terminou a Série B na terceira posição com 67 pontos. No total, 14 profissionais foram utilizados.
Após a saída de Kleina para o Palmeiras, em setembro de 2012, a diretoria da Macaca nunca bancou a permanência de treinadores. A saída abriu espaço para o surgimento de Guto Ferreira, que permaneceu até 2013 e foi demitido nas primeiras rodadas do Brasileirão. Com Paulo César Carpegiani, o time não reagiu e Jorginho foi contratado e colheu como saldo a chegada à final da Copa Sul-Americana.
Em 2014, ano de Copa do Mundo, o então presidente Márcio Della Volpe precisou enxugar gastos e contratou Sidney Moraes, que não resistiu muito tempo e abriu caminho para o retorno de Vadão, que dias antes de estreia na Série B recebeu o convite para assumir pela primeira vez a Seleção Brasileira de Futebol Feminino. Dado Cavalcante não deu o resultado esperado e Guto Ferreira voltou para levar o time ao segundo lugar na Série B com 69 pontos. Em 2015, Guto Ferreira caiu nas quartas de final para o Corinthians e conquistou o titulo do interior contra a Penapolense, mas saiu no Brasileirão após perder do Figueirense. Doriva foi contratado, porém acabou seduzido por uma proposta do São Paulo e Felipe Moreira terminou o ano como interino.
A temporada de 2016 começou com Vinicius Eutrópio, mas a campanha em quatro jogos foi tão deficiente que a ameaça de rebaixamento ficou real. Veio Alexandre Gallo para substituí-lo, mas a metodologia de trabalho não agradou a diretoria de futebol e Eduardo Baptista chegou e levou o time ao oitavo lugar no Brasileirão com 53 pontos.
Na virada do ano, para querer aproveitar a onda de treinadores estudiosos, a Ponte Preta apostou em Felipe Moreira. Apesar de 62,5% de aproveitamento, a diretoria optou pela troca e a chegada de Gilson Kleina que levou o time a final do Campeonato Paulista. O esquema tático degringolou no Brasileirão e ocorreu a demissão após perder do Atlético-GO. A chegada de Eduardo Baptista não evitou o penúltimo lugar com 39 pontos.
Na atual temporada, Marcelo Chamusca chega para afastar a sensação de fracasso, que começou com Eduardo Baptista e permaneceu com Doriva e João Brigatti.
Rompido com o grupo político que atualmente comanda a Ponte Preta, o ex-vice-presidente de futebol, Marco Antonio Eberlim afirmou ao TODODIA que uma possível interferência do presidente de honra, Sérgio Carnielli explica boa parte do fenômeno.
“Se você observar o que foi feito entre 2006 e 2011, a rotatividade de treinadores também foi grande. Alguns poucos com qualidade deram certo. Eu não estou mais lá, mas posso dizer que na minha época eu não permitia interferência do Sérgio Carnielli, mas eu sei que ele gosta de dar palpite e colocar o dedo dele”, afirmou Eberlim.
Segundo ele, o comportamento acaba em resultado desagradável. “Se ele interferiu aí ninguém para mesmo. É mais fácil culpar os técnicos do que assumir responsabilidades”, arrematou.
Eberlim ficou como comandante do futebol de 1996 a 2006. Nesse período, o time permaneceu por nove edições na divisão de elite do futebol nacional.
ROTATIVIDADE NA MACACA
Gilson Kleina – 115 jogos- 51% de aproveitamento
Guto Ferreira- 41 jogos – 55,30%
Paulo César Carpegiani- 14 jogos- 42%
Jorginho – 32 jogos- 36%
Sidney Moraes- 3 jogos- 33%
Vadão- 14 jogos- 57,14%
Dado Cavalcanti- 14 jogos- 45,2%
Guto Ferreira (2ª passagem) – 66 jogos – 57,07%
Doriva- 15 jogos – 51,%
Vinicius Eutrópio- 4 jogos- 33%
Alexandre Gallo – 12 jogos – 64%
Eduardo Baptista- 43 jogos – 48%
Felipe Moreira – 63%
Gilson Kleina (2ª passagem)- 37 jogos- 44,14%
Eduardo Baptista (2ª passagem) – 28 jogos – 32%
Doriva (2ª passagem) – 11 jogos – 33%
João Brigatti – 17 jogos – 53%
Marcelo Chamusca**– 2 jogos- 16%
* Fonte: Edu Pinheiro- Rádio Bandeirantes Campinas
** Não inclui o resultado do jogo contra o Oeste




