
Brasil e Estados Unidos retomam nesta segunda-feira (31) as negociações sobre o comércio entre os dois países. A reabertura do diálogo ocorre depois de a Casa Branca impor tarifas sobre parte das importações brasileiras e dez dias após uma conversa por telefone entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante o telefonema, Lula defendeu a retomada das conversas e afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para aplicar as tarifas não correspondem à realidade. Trump, por sua vez, propôs que as equipes dos dois governos voltassem a negociar.
Tarifas atingem produtos brasileiros
O Brasil passou a enfrentar uma tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos. Posteriormente, Washington acrescentou uma taxa de 12,5%, sob a justificativa de que o país não teria adotado medidas suficientes contra o trabalho forçado.
A justificativa integra uma medida que também atingiu outros 59 países e a União Europeia. O governo brasileiro contesta as cobranças e avalia que a nova tarifa de 12,5% teria sido criada para substituir uma cobrança anterior derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro.
Já a tarifa de 25%, aplicada especificamente ao Brasil, foi baseada em uma investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).
Entre os temas apontados pelo governo norte-americano estão práticas comerciais consideradas desleais, pagamentos eletrônicos, incluindo o Pix, e o acesso de produtos dos Estados Unidos ao mercado brasileiro de etanol.
Governo brasileiro questiona justificativas
O governo brasileiro considera que as tarifas têm motivação política e afirma que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos não justificam as medidas adotadas.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que os negociadores norte-americanos chegaram a pedir uma abertura ampla do mercado brasileiro, mas não apresentaram contrapartidas.
A expectativa do governo brasileiro é que a retomada permita discutir as tarifas e outros pontos da relação comercial entre os dois países.
Disputa ocorre em meio a tensão internacional
A disputa comercial ocorre em um cenário de maior aproximação econômica entre países da América Latina e a China.
O governo dos Estados Unidos busca ampliar sua influência na região, enquanto o Brasil mantém relações comerciais relevantes com os dois países.
O governo brasileiro também avalia que as medidas adotadas por Washington podem estar relacionadas ao cenário político do país e às eleições gerais de outubro.
As negociações desta segunda-feira devem indicar os próximos passos da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, além da possibilidade de revisão das tarifas impostas aos produtos brasileiros.
*Com informações de Agência Brasil





