terça-feira, 1 setembro 2026

Centrão descarta tese de adiar eleições e Faria abandona estratégia

Ministro das Comunicações disse que “se arrepende” de ter divulgado caso das inserções de rádio 

DECISÃO | O ministro Fábio Faria, que se arrependeu de ter divulgado caso das rádios (Foto: Agência Brasil)

Após a proposta de adiar o segundo turno das eleições ganhar a adesão da família do presidente Jair Bolsonaro (PL), o ministro das Comunicações, Fábio Faria, abandonou a estratégia de questionar a veiculação de propaganda eleitoral nas rádios. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente, sugeriu que, para haver reparação ao pai, as eleições teriam de ser postergadas. 

A ideia conta, porém, com forte oposição do centrão, que teme ser associado à defesa de um golpe e do incentivo a uma tática para ganhar no “tapetão”. Fábio Faria disse à reportagem que se arrependeu de ter divulgado o caso das rádios quando o tema passou a ser usado para suspender a votação no próximo domingo.

“Tentei mediar um acordo para recebermos inserções e não foi possível. Aí saí do tema”, disse Faria. “Tentei o que pedia a peça (dos advogados) para recuperar algumas inserções nessas rádios. Depois que escalou, eu saí e isso eu me arrependo. Esse assunto prejudica o presidente”, completou o ministro, que é filiado ao PP, partido do Centrão. O bloco dá sustentação a Bolsonaro no Congresso.

Faria foi um dos emissários do Palácio do Planalto que consultaram interlocutores da cúpula do Judiciário para que a campanha fosse atendida em relação às reclamações sobre a propaganda nas rádios. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, considerou a denúncia “inepta” e determinou que fosse arquivada. Moraes também pediu investigação para averiguar possível “cometimento de crime eleitoral com a finalidade de tumultuar o segundo turno do pleito em sua última semana”.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também não é favorável ao adiamento das eleições, segundo apurou a reportagem. A tese vem sendo classificada como “loucura” e “sandice” por alguns dos mais importantes conselheiros do presidente. Outro ministro ouvido sob reserva disse que essa proposta “só atrapalha o presidente”, além de passar a imagem de que ele “já está derrotado” e deseja o “terceiro turno”.

O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, um dos coordenadores da campanha de Bolsonaro e líder do PP, afirmou na quarta-feira, 26, que não via motivo para adiar o segundo turno. “Não existe previsão legal para adiar uma eleição”, disse Ciro ao site Poder 360. Procurado, o ministro não se manifestou.

‘FATO GRAVE’ 

Há três dias, o ministro das Comunicações convocou a imprensa ao Palácio da Alvorada para denunciar um “fato grave”. Na ocasião, ele e o coordenador de comunicação da campanha, Fabio Wajngarten, afirmaram que 154 mil propagandas de Bolsonaro haviam deixado de ser veiculadas por rádios de todo o País. 

Ao analisar a denúncia formalizada por advogados de Bolsonaro, Faria disse que sempre deixou claro, desde o início, que só aderiu ao questionamento para pedir que a campanha fosse recompensada. A estratégia de apresentar a denúncia, de acordo com ele, foi definida quando o comitê de reeleição decidiu contratar uma empresa para investigar a suposta fraude. “O partido é que vai cuidar (do assunto)”, disse Faria.

Nos bastidores do comitê, no entanto, a ideia de fazer uma auditoria foi atribuída a Wajngarten, com quem Faria já teve desentendimentos no passado. Segundo outros auxiliares da campanha, somente a ala mais ligada a Wajngarten, que tem experiência pregressa com controle de mídia, insiste na tese de fraude, que deu vazão a especulações sobre o adiamento das eleições.

Na quarta-feira, 26, Eduardo Bolsonaro já pregava isso, alegando necessidade de reposição do tempo de propaganda nas rádios. Um dia depois, na quinta, Eduardo defendeu a ideia em entrevista. O deputado sugeriu que postergar a data da votação permitiria ao pai uma “reparação”, por causa das supostas irregularidades na veiculação de propaganda em rádios. A campanha de Bolsonaro sustenta que emissoras do Norte, do Nordeste e de Minas Gerais teriam divulgado mais peças de publicidade de Lula do que do presidente.

Receba as notícias do Todo Dia no seu e-mail
Captcha obrigatório

Veja Também

Veja Também