quinta-feira, 10 setembro 2026

“Ele falou: ‘eu só não vou queimar sua testa porque você já é feio” conta homem torturado por chefe

Vítima foi agredida com pauladas e colega teve mãos queimadas. Caso aconteceu em Salvador e é investigado pela polícia e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT)

William também afirmou ter medo de que as marcas das queimaduras não saiam de suas mãos (Foto: Reprodução)

“Ele queimou minhas mãos, me deu várias pauladas, vários murros, e falou que eu ia passar o [que ocorria no] tempo da escravidão”, afirmou William de Jesus, de 21 anos, nesta segunda-feira (29), em entrevista ao Bahia Meio Dia, telejornal da TV Bahia. O jovem foi torturado junto com o colega por um empresário de Salvador, após o suposto furto de R$ 30. Ele teve as mãos queimadas com o número 171, em referência ao crime de estelionato.

“Não consigo dormir direito, não consigo viver direito com toda essa situação. Preciso de um trabalho, porque estou desempregado e passando por necessidade”, complementou.

William também afirmou ter medo de que as marcas das queimaduras não saiam de suas mãos. “Queria saber se algum órgão pode me ajudar para ver como minhas mãos vão ficar, temo que essas marcas permaneçam”, disse o jovem.

O crime foi cometido em 19 de agosto, mas só foi denunciado à Polícia Civil no dia 26. As agressões foram motivadas por um suposto furto de R$ 30. Os trabalhadores negam que tenham pegado o dinheiro.

A outra vítima, identificada como Marcos Eduardo, afirmou que o ex-chefe já havia acusado outros três funcionários de roubo, mas não detalhou quando essas acusações ocorreram.

“Ele já acusou outros funcionários de roubo. Eu fiquei quase um ano trabalhando com ele e, nesse período, ele demitiu três funcionários por roubo, acusando sem ter provas”, relatou.

Ainda nesta segunda, a mãe de William, Claudete Batista, disse que o empresário foi até a casa dela ameaçar a família, no entanto, não detalhou quando o ex-chefe do filho foi em sua residência.

O Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT-BA) abriu um inquérito para investigar a denúncia de tortura contra dois trabalhadores que foram agredidos pelos patrões em Salvador, neste mês.

Nesta segunda-feira, o advogado das vítimas esteve na delegacia que investiga o caso, para cobrar rapidez no processo. Já o MPT informou que vai solicitar informações para Polícia Civil, e que as vítimas e os empresários serão convocados para prestar depoimento.

Tortura física e psicológica

“Ele falou: ‘eu só não vou queimar sua testa porque você já é feio. Com a testa queimada vai ficar mais feio ainda, então vou queimar na mão'”. O relato chocante é do jovem William de Jesus, de 21 anos, um dos jovens que foi torturado pelo patrão.

As duas vítimas já prestaram depoimento na delegacia. Além delas, o empresário, identificado como Alexandre Carvalho Santos, também falou com a polícia. Um segundo homem, que filmou a tortura, também deve ser ouvido.

Willian contou que no dia da agressão chegou para trabalhar, e foi pego em uma “emboscada” montada pelos dois. Durante a sessão de tortura, os homens queriam que ele confessasse o suposto roubo.

“No momento em que estava me batendo, eles estavam gravando e dizendo para que eu confessasse. Eu falei: ‘não vou confessar nada, porque eu não roubei nada'”.

Marcos Eduardo, que também foi agredido com pauladas nas mãos, contou que está traumatizado e que sofreu ameaças de morte.

“É traumatizante. Eu não durmo direito, me assusto de madrugada porque ele me ameaçou de morte. Falou que, se não tivesse gostado [da tortura], era para dar queixa”. “Eu não preciso disso [roubar].

Eu tenho um filho, pago aluguel, trabalho. Acordava às 5h da manhã todos os dias, para trabalhar para ele. Saia quase 20h da noite. Fechava a guia e ainda ficava. Se eu fosse roubar, eu não ia roubar só R$30″.

Com informações G1.

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