
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou, na segunda-feira (4), a fabricação no Brasil da vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan, denominada Butantan-Chik. O imunizante foi produzido em parceria com a farmacêutica Valneva e poderá ser incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde).
Na área de cobertura da TV TODODIA foram registrados 74 casos confirmados de chikungunya e 236 casos prováveis entre 2024 e 2026, segundo dados do painel de arboviroses do Estado de São Paulo. Também foram contabilizados 2.525 casos descartados.
Perfil dos casos na região
O público-alvo da vacina inclui pessoas entre 18 e 59 anos. Na região analisada, Campinas foi o único município a registrar um óbito pela doença.
Americana, Campinas e Sumaré apresentam padrão semelhante, com maior incidência entre mulheres nos últimos três anos. Em Americana, os dois casos confirmados ocorreram em mulheres entre 35 e 64 anos.
Em Campinas, dos 45 casos confirmados, a maioria foi registrada em mulheres. A faixa etária entre 20 e 64 anos concentra 50% dos registros, enquanto 2% ocorreram entre 10 e 14 anos e outros 2% entre 65 e 79 anos. No total, 54% dos casos foram em mulheres.
Em Sumaré, os quatro casos confirmados também foram em mulheres. Metade está na faixa de 24 a 34 anos, enquanto 25% correspondem a pacientes de 15 a 19 anos e outros 25% de 50 a 64 anos.
Diferenças entre municípios
Em Cosmópolis, Hortolândia e Limeira, os registros indicam maior incidência entre homens.
Em Cosmópolis, 67% dos casos confirmados entre 2024 e 2026 foram em homens, com maior concentração na faixa de 50 a 64 anos.
Em Limeira, os homens também predominam, com destaque para a faixa de 50 a 64 anos, que representa 33% dos casos. Outros 17% estão entre 20 e 34 anos e 17% acima dos 80 anos. Entre as mulheres, a faixa de 20 a 49 anos concentra 34% dos registros.
Em Hortolândia, 66% dos casos ocorreram em homens, principalmente entre 20 e 34 anos e entre 65 e 79 anos. Os demais registros foram em mulheres entre 50 e 64 anos.
Já em Paulínia, Santa Bárbara d’Oeste e Piracicaba, os casos estão distribuídos de forma equilibrada entre homens e mulheres.
Produção nacional da vacina
A vacina contra a chikungunya foi aprovada pela Anvisa em abril de 2025, inicialmente com produção nas instalações da Valneva. Com a nova autorização, o Instituto Butantan passa a integrar a fabricação no país.
Segundo a agência, trata-se do mesmo imunizante, agora formulado e envasado no Brasil, mantendo os padrões de qualidade, segurança e eficácia.
O imunizante foi testado em cerca de 4 mil voluntários entre 18 e 65 anos nos Estados Unidos. Resultados publicados na revista científica The Lancet, em 2023, indicaram que 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes.
Os efeitos adversos mais comuns foram leves ou moderados, incluindo dor de cabeça, dores musculares, fadiga e febre.
Em fevereiro de 2026, a vacina começou a ser aplicada no SUS em municípios com maior incidência, como parte de uma estratégia piloto do Ministério da Saúde. O imunizante também foi aprovado no Canadá, Europa e Reino Unido.
Sintomas e prevenção
A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue e da Zika.
A doença provoca febre alta e dores intensas nas articulações, principalmente nas mãos e nos pés, além de sintomas como dor de cabeça, dores musculares e manchas na pele.
Em alguns casos, pode evoluir para dor crônica nas articulações, que pode persistir por meses ou anos.
Estudos indicam que pacientes com a forma crônica podem apresentar impactos na mobilidade e na saúde mental.
A principal forma de prevenção continua sendo o combate ao mosquito, com a eliminação de água parada em recipientes como pneus, latas e vasos de plantas. Reservatórios como caixas d’água e cisternas devem permanecer fechados.





