domingo, 6 setembro 2026

Lula tem 50% dos votos válidos no 1º turno

Bolsonaro alcança 36%, segundo o Datafolha; resultado mantém chance de petista definir pleito já neste domingo

LEVANTAMENTO | Pesquisa Datafolha mostra mais uma vez Lula à frente de Bolsonaro; Ciro tem 6% e Tebet, 5% (Foto: Reprodução)

A três dias das eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida com 50% dos votos válidos, o que mantém aberta a possibilidade de vencer já no primeiro turno. Em busca da reeleição, Jair Bolsonaro (PL) tem 36%, seguido por Ciro Gomes (PDT), com 6%, e Simone Tebet (MDB), com 5%.

É o que revela a mais recente pesquisa do Datafolha, que ouviu 6.800 pessoas em 332 cidades de terça (27) a esta quinta (29). Ela foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrada com o número BR09479/2022 no Tribunal Superior Eleitoral. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O índice de confiança é de 95%. O instituto passa a divulgar o resultado dos válidos, que exclui da conta de intenção de votos brancos, nulos e indecisos, pois esse é o critério usado pelo TSE para contabilizar o resultado do pleito.

Assim, se mantém no limiar da vitória no primeiro turno, que demanda 50% dos válidos mais um voto ao menos, numa onda de recuperação: chegou a ter 54% em maio, descendo em setembro para 48%, patamar em que permaneceu até a semana passada, quando oscilou para 50%. Ou seja, a situação é de estabilidade.

A campanha petista intensificou sua busca por votos, particularmente de Ciro, cuja reação energética contra a ofensiva resultou num comunicado à nação na segunda (27), quando disse que não deixaria a disputa. Não foi muito ouvido pelos eleitores: neste levantamento, ele oscilou negativamente ante o da semana passada. A senadora Tebet, por sua vez, manteve-se estável, provando que, se a campanha não lhe trouxe uma candidatura viável, ao menos a mostrou inoxidável em seu patamar. O Datafolha havia mostrado que 1 em cada 5 eleitores dela e de Ciro estava disposto a votar útil em Lula.

Os resultados tornam ainda mais importante para Lula e para Bolsonaro o debate desta quinta na TV Globo, o último grande evento da campanha. Qualquer escorregão mais grave pode atrapalhar; empates ou vitórias por pontos são o que usualmente se espera desses encontros, cuja mística é algo exagerada na crônica política.

Com efeito, a ausência de Lula no encontro do SBT no sábado passado (24) em nada lhe prejudicou a intenção de voto. Assim como a algo folclórica apresentação ao mundo das redes sociais de Padre Kelmon não ajudou o candidato do PTB, que não pontuou. Problema maior para o PT é a questão da abstenção, que atinge tradicionalmente mais eleitores de baixa rende que compõem a força de Lula nesta campanha. Não há como prever essa taxa, dada a imprevisibilidade de fatores, e segundo o Datafolha havia apurado na semana passada, 3% dos eleitores admitiam não ir às urnas.

O fato é que esta é uma eleição definida nos detalhes, sem variações dramáticas nos números gerais. Com o voto cristalizado pela maioria dos eleitores há mais de um mês, tudo sugere que a propaganda gratuita teve impacto reduzido no resultado que se aproxima -todos os quatro principais candidatos aumentaram o tom dos ataques entre si, com Bolsonaro chamando Lula de ladrão diuturnamente.

85% dizem já estar totalmente decididos sobre voto a presidente, mostra pesquisa

A três dias do primeiro turno das eleições, 85% dos eleitores se dizem totalmente decididos sobre o voto para presidente, enquanto 15% afirmam que a decisão ainda pode mudar, segundo a nova pesquisa Datafolha. Na semana passada, os percentuais eram de, respectivamente, 81% e 18%.

A tendência de apoiadores dos dois líderes da corrida estarem mais convictos do que a média continua. Entre apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 91% se declaram decididos (eram 87%), e, entre simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (PL), a taxa é de 89% (ante 88% na semana anterior).

Dos quatro principais presidenciáveis, Ciro Gomes (PDT) segue como aquele que tem o eleitorado mais volátil: 46% afirmam que ainda podem mudar de voto (eram 54%), e 54% se dizem certos (eram 46%).

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