sábado, 19 setembro 2026

Médico é preso por manter paciente em cárcere privado há 2 meses, após complicações em cirurgia

Hospital impediu que mulher fosse transferida e dificultou entrada de policiais na unidade após tia da paciente fazer denúncia. Cirurgião-plástico equatoriano Bolívar Guerrero Silva foi detido no centro cirúrgico

Ao ser levado pela polícia, questionado pela equipe de reportagem, o médico não quis comentar nada (Foto: Divulgação)

Policiais da Delegacia de Atendimento à Mulher de Duque de Caxias (Deam-Caxias) prenderam, no início da tarde desta segunda-feira (18), um médico suspeito de manter uma paciente em cárcere privado em um hospital particular na Baixada Fluminense.

Além de prender o cirurgião plástico Bolívar Guerrero Silva, os agentes foram à unidade de saúde para resgatar a mulher. A família dela afirmou à polícia que a paciente está sendo mantida em cárcere privado há quase dois meses, desde que um procedimento estético na barriga deu errado.

Ao ser levado pela polícia, questionado pela equipe de reportagem, o médico não quis comentar nada. 

Até as 12h50, ainda não havia informações sobre uma possível transferência da paciente para outra unidade de saúde.

Os policiais cumpriram mandados de prisão preventiva, de busca e apreensão e de condução coercitiva no Hospital Santa Branca.

Denúncia 

Na semana passada, a tia da mulher procurou a Deam-Caxias para relatar o que estava acontecendo. A paciente se submeteu a uma abdominoplastia no início de março. Em junho, ela voltou para se submeter a mais três intervenções.

Algo deu errado neste último procedimento, de acordo com parentes, a cirurgia teve complicações, a ponto da barriga dela ter necrosado.

A polícia investiga a denúncia de que o médico e sua equipe estariam impedindo que a mulher fosse transferida para outra unidade de saúde.

Os investigadores descobriram que o médico envolvido atende em uma clínica de cirurgia plástica e faz cirurgias no hospital. Ele também é um dos administradores da unidade particular.

No mesmo dia da denúncia da tia, a polícia requisitou o prontuário da paciente e o relatório médico. Até esta segunda-feira, a documentação ainda não tinha sido entregue.

Na sexta-feira (15), a polícia repassou um celular para a paciente. Quando os agentes ligaram para confirmar se o aparelho estava funcionando, a mulher atendeu desesperada, pedindo para ser retirada do hospital porque estava com medo de morrer.

Acesso dificultado 

Os agentes da Deam-Caxias correram para o hospital e foram recebidos pela advogada da unidade médica, que alegou que eles não poderiam falar com a vítima porque ela estava sedada. Mesmo assim, a polícia entrou e localizou a mulher, que chorava muito.

Os agentes fizeram fotos que comprovam o péssimo estado de saúde. A polícia pediu à Justiça para prender o médico responsável pelo procedimento e que também administra a unidade, pedido este que foi concedido.

Outros casos parecidos envolvendo o mesmo médico são investigados pela polícia.

Com informações G1.

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