Claudinei Esquarcini, responsável pelas câmeras de segurança que registraram assassinato, se jogou de viaduto
O Ministério Público e a Polícia Civil do Paraná investigam se há relação entre um suicídio e o assassinato do guarda municipal Marcelo Arruda, morto a tiros na noite de 9 de julho no aniversário de 50 anos comemorado com uma festa temática do PT em Foz do Iguaçu (PR). Funcionário da Itaipu, Claudinei Coco Esquarcini, 44, se jogou neste domingo (17) de um viaduto em Medianeira, município a 50 km de Foz.
Diretor da associação onde ocorreu a festa, ele é apontado como o encarregado pela instalação do sistema de câmeras de vigilância no local do crime. O celular dele foi apreendido pela Polícia Civil e será encaminhado ao Instituto de Criminalística, informou documento encaminhado pelo MP à Justiça.
O policial penal Jorge José da Rocha Guaranho teve acesso às imagens da festa quando estava em um churrasco com amigos, segundo a Polícia Civil. Integrantes da associação que participavam da confraternização mostraram as imagens a partir de seus celulares a Guaranho. Em seguida, ele foi ao local para “provocar” os participantes do aniversário do petista, de acordo com as investigações.
Questionado sobre o acesso às câmeras, José Augusto Fabri, vigilante da Itaipu, citou Claudinei como o encarregado pelo sistema de monitoramento, instalado no local para prevenir furtos.
“Tem que ter uma senha. Esse processo quem faz é o Claudinei. Como ele conhece de configuração, montagem, manutenção e ele faz parte da diretoria, então ele cuida dessa parte”, disse o vigilante em depoimento à Polícia Civil.
DILIGÊNCIAS
Um requerimento assinado nesta segunda (18) em conjunto pelos representantes legais da família de Marcelo Arruda solicitou diligências complementares à 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu após o episódio. Os advogados querem que o presidente da associação seja intimado para apresentar a lista completa dos associados ao Ministério Público.
Eles também solicitam a busca e apreensão do celular de Claudinei “tendo em vista que os equipamentos celulares de [nomes das duas testemunhas que mostraram o vídeo da festa ao atirador] foram utilizados pelo criminoso para visualizar as câmeras”, cita o pedido.
O requerimento solicita ainda a quebra dos sigilos telefônico e telemático para extração de áudios, vídeos e conteúdos em redes sociais. Os advogados querem saber quais associados poderiam ter acesso às câmeras de monitoramento do local da festa, e se as senhas foram disponibilizadas por Claudinei.
“Há risco de destruição de provas e as medidas e diligências requeridas são de natureza urgente”, diz um dos trechos do pedido.
O pedido cita a relação de amizade entre o atirador e duas testemunhas, que teriam exibido as imagens da festa ao autor do crime.
O advogado Daniel Godoy entende que as autoridades devem quebrar o sigilo telefônico do diretor da entidade para apurar como as imagens foram acessadas.





