sexta-feira, 19 junho 2026

Polícia Federal revela que quadrilha gastou mais de R$ 1,2 milhão para sequestrar e matar o senador Sérgio Moro

Dados foram encontrados em diferentes celulares e e-mails de membros da quadrilha, que desviaram parte do dinheiro para proveito próprio e usaram recursos do tráfico de drogas para financiar o plano 

Foto: Gil Ferreira/Agência Brasil

 A Polícia Federal (PF) encontrou informações importantes sobre a contabilidade da quadrilha suspeita de planejar o sequestro e assassinato do senador Sérgio Moro (União-PR). O jornal O Globo revelou que o total gasto com o plano ultrapassa R$ 1,2 milhão. As informações foram descobertas em diferentes celulares e endereços de e-mail indicados por um ex-membro da facção criminosa que delatou o plano ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

Os dados sobre os gastos foram enviados à Justiça Federal e constam no relatório elaborado pelo Grupo Especial de Investigações Sensíveis (Gise), que monitorou os aparelhos telefônicos e os e-mails com autorização judicial, mediante a quebra do sigilo telemático. Segundo a PF, não há dúvidas de que os valores utilizados para financiar as atividades criminosas em Curitiba são oriundos do tráfico de drogas e da associação para o tráfico de drogas de Janeferson.

Segundo o jornal O Globo, um dos aparelhos continha uma anotação no bloco de notas que mostrava diversos gastos vinculados a “Tokio”, apelido usado para se referir a Moro. A lista incluía R$ 50 mil de custos iniciais, R$ 12 mil com viagens, R$ 55 mil para comprar um carro, R$ 50 mil para aluguéis e manutenção, R$ 110 mil com um fuzil, entre outros gastos.

Os suspeitos também investiram em diferentes imóveis em Curitiba, no Paraná, onde Moro e sua família moravam. De acordo com as informações encontradas em uma das contas de e-mail, os gastos incluíram a locação de um apartamento por R$ 10 mil, uma casa por R$ 6 mil e uma chácara por R$ 5 mil. Além disso, houve investimento de R$ 3,5 mil em móveis, R$ 1 mil em viagens, R$ 17,8 mil com carro e R$ 2 mil em alimentação e combustível.

A PF também encontrou informações em uma conta no WhatsApp que mostrava gastos com um hotel por R$ 500, TV por R$ 1 mil, gasolina por R$ 200 e um carro por R$ 25 mil, além de outros gastos. A conversa no WhatsApp era entre dois dos suspeitos, e um deles estava em Curitiba tanto na época do período eleitoral quanto nos últimos dias.

As investigações apontaram que a quadrilha avaliou a hipótese de executar o plano contra o ex-juiz no dia do primeiro turno. Além disso, parte dos investigados desviou valores do plano para proveito próprio, como mostrou um dos áudios obtidos pela PF. O homem reclamava por não ter recebido o detalhamento de gastos no prazo combinado e afirmava haver uma cobrança da “financeira da Bolívia”, o que comprova, segundo os policiais, que o dinheiro recebido pelos investigados é oriundo do tráfico de drogas.

A PF continua investigando o caso para identificar todos os envolvidos na quadrilha suspeita de planejar o sequestro e assassinato.

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