
O senador Flávio Bolsonaro usou o discurso feito nesta sexta-feira (15), em Campinas, para se defender das denúncias envolvendo o áudio vazado sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante o evento de lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite ao Senado Federal, Flávio afirmou estar “mais motivado do que nunca” após a repercussão do caso.
Logo no início da fala em Campinas, o senador afirmou que acordou inspirado por um trecho bíblico e relacionou o momento político às críticas que vem recebendo após a divulgação das reportagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O discurso ocorreu dois dias após o site divulgar mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro conversa com Vorcaro sobre recursos destinados ao longa-metragem sobre Jair Bolsonaro. Segundo as reportagens, o valor negociado teria chegado a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões.
Defesa sobre recursos para o filme
Ao comentar o caso durante o evento em Campinas, Flávio Bolsonaro afirmou que a produção buscava financiamento privado e negou irregularidades. O senador disse que o projeto tinha o objetivo de homenagear o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Quando um filho quer fazer um filme em homenagem ao próprio pai, um filme que ele merece, e busca recursos privados, tudo certo, direitinho, dentro da lei. Então, óbvio que lá atrás a gente não imaginava que o investidor chegaria num momento como está hoje, lá atrás ninguém no mundo podia imaginar”, afirmou.
Na sequência, o senador fez críticas a produções financiadas com recursos públicos e comparou o caso ao uso de verbas estatais para projetos culturais ligados a adversários políticos.
“Tem filme que é com dinheiro privado, tem filme que é com dinheiro público, tem filme que, para fazer propaganda para os outros, toma dinheiro dos impostos do trabalhador. A gente não tem dinheiro público”, disse.
Os áudios divulgados nesta semana apontam que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro no ano passado. O conteúdo mostra o senador cobrando parcelas atrasadas relacionadas ao financiamento do filme.
Ataque ao Intercept
Na parte final do discurso em Campinas, Flávio Bolsonaro direcionou críticas ao Intercept Brasil e afirmou que o vazamento ocorreu após declarações dele sobre facções criminosas.
“Foi só eu falar isso que esse Intercept, esse veículo que não é veículo de jornalismo, é veículo de pessoas muito suspeitas, que já foram acusadas lá atrás de receberem dinheiro de quem? Do PCC. Pode ser só uma coincidência. Bastou eu falar que ia fazer isso com esses marginais e veio esse bloco pra cima da gente com mentiras”, afirmou.
O senador também citou reportagens antigas relacionadas à Operação Lava Jato e acusou o portal de tentar influenciar o cenário político nacional.
“Foram eles que ilegalmente distorceram e divulgaram conversas que levaram à anulação do processo do Lula. E agora estão tentando de novo. Estão tentando interceptar o futuro do nosso Brasil”, declarou.
Lançamento da campanha
O evento realizado em Campinas reuniu lideranças políticas ligadas ao campo bolsonarista, entre elas o governador . A agenda marcou o início oficial da articulação política de Guilherme Derrite para a disputa ao Senado nas eleições de 2026.





