
O vereador Renan Paes (PL) protocolou, na quinta-feira (17), o Ofício nº 213/2026, dirigido ao presidente da Câmara Municipal de Piracicaba, Rerlison Rezende. No documento, ele reitera a denúncia apresentada anteriormente e o pedido de cassação do mandato de Cássio Luiz Barbosa, o Cássio ‘Fala Pira’. Na mesma sessão, Renan levou o assunto à tribuna e defendeu o avanço da análise pelo Legislativo.
Segundo o ofício, a denúncia é acompanhada de registros policiais, documentos, relatos, matérias jornalísticas e outros elementos que, na avaliação de Renan, devem ser considerados na apuração. O vereador sustenta que os fatos atribuídos a Cássio teriam ocorrido em contexto relacionado ao exercício do mandato e, em parte, nas dependências da própria Câmara Municipal.
Renan afirma que, caso os fatos sejam confirmados durante a apuração, eles poderão caracterizar quebra de decoro parlamentar. O pedido não representa uma decisão de cassação. O vereador solicita que a denúncia seja submetida ao Plenário e que sejam adotadas as providências previstas para o procedimento político-administrativo.
Entre os elementos citados está um áudio atribuído a Cássio e encaminhado a uma pessoa próxima de uma das mulheres envolvidas na denúncia. De acordo com o documento, na gravação o vereador reconhece ter cometido um erro, afirma que “vacilou” e relata ter pedido perdão pelo ocorrido. A íntegra da transcrição foi anexada ao pedido.
Áudio como elemento da denúncia
O ofício reproduz trechos atribuídos a Cássio, como “eu errei, eu reconheço o meu erro”, “eu não tô justificado aqui não, que eu errei” e “eu pisei na bola e eu errei”. O documento também afirma que a gravação menciona uma aproximação de natureza íntima com a mulher e um pedido de desculpas posterior.
A fala deve ser considerada dentro do contexto apresentado no próprio documento. Na declaração atribuída ao vereador, ele reconhece uma conduta que considerou errada, afirma ter pedido perdão à mulher e diz que pretende não repetir o comportamento. O conteúdo, isoladamente, não estabelece responsabilidade criminal pelas acusações que são objeto do processo judicial.
O ofício também cita manifestações da Procuradoria Legislativa da Câmara. Segundo Renan, a análise jurídica teria reconhecido a existência de elementos documentais mínimos para a apreciação da denúncia e diferenciado a eventual responsabilidade político-administrativa da apuração criminal. O documento ressalta que o procedimento deve respeitar o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
Votação no Plenário
Renan pede ao presidente da Câmara que receba a manifestação como reiteração da denúncia e submeta seu recebimento à votação do Plenário. Caso a matéria tenha prosseguimento, ele solicita a adoção das medidas previstas na legislação para o processo político-administrativo de cassação.
Cássio Luiz Barbosa permanece afastado do mandato por determinação judicial e está preso preventivamente. Ele responde a um processo criminal relacionado a acusações de crimes sexuais, que tramita sob segredo de Justiça. A defesa nega as acusações, e ainda não há decisão definitiva sobre a responsabilidade criminal do vereador.
Com o afastamento, o suplente Fabrício Polezi assumiu a cadeira de Cássio na Câmara. Polezi está internado na Santa Casa de Piracicaba desde quarta-feira (16), quando caiu no Rio Piracicaba enquanto gravava um vídeo na região da Ponte Pênsil. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado pelo Samu ao hospital.
O quadro inicialmente foi considerado grave, com comprometimento respiratório causado pelo afogamento. Polezi precisou de sedação, ventilação mecânica e cuidados intensivos na UTI. Em boletim médico divulgado no dia 18, a Santa Casa informou que houve melhora dos parâmetros respiratórios, mas o vereador permanece em tratamento intensivo.
A situação do mandato de Cássio envolve duas frentes distintas: o processo judicial em andamento e o pedido de natureza político-administrativa apresentado por Renan Paes ao Legislativo municipal. A nova manifestação acrescenta outro capítulo à discussão sobre o futuro político do vereador afastado.
O documento protocolado em 17 de setembro não determina a perda do mandato. O pedido é para que a Câmara Municipal avalie formalmente a denúncia e decida, dentro do procedimento legal, se a matéria deve avançar para uma eventual apuração de quebra de decoro parlamentar.





