quinta-feira, 23 maio 2024

Professores ameaçam greve contra reabertura

A pouco menos de um mês do início do ano letivo, professores da rede pública de São Paulo ameaçam entrar em greve para evitar o retorno presencial às escolas.

No sindicato dos docentes da rede estadual, a Apeoesp, a posição é de não retornar até que a categoria seja vacinada contra a Covid-19. Já o Sinpeem, que representa os professores do município, condiciona a volta ou à vacina ou à comprovação da segurança de cada unidade escolar.

A gestão do governador João Doria (PSDB) já definiu que a volta às aulas será no dia 1º de fevereiro e terá obrigatoriamente carga horária presencial, com rodízio de alunos.

Já a administração do prefeito Bruno Covas (PSDB) ainda não definiu se o retorno será presencial ou a distância.

Só na cidade de São Paulo, quase 99% das escolas municipais e 48% das estaduais, que atendem 1,5 milhão de crianças, estão fechadas desde o fim de março.

Para garantir o retorno na rede estadual paulista, a Secretaria da Educação decidiu abrir concursos para professores temporários atuarem na sala de aula, já que os profissionais efetivos que apresentarem atestado médico permanecerão em casa. Serão cerca de 10 mil contratados, segundo a Secretaria de Educação (leia texto ao lado).

Na terça-feira (5), a Apeoesp anunciou ação judicial contra a seleção e promete greve caso seja mantida a decisão do retorno presencial no dia 4.

A presidente do sindicato, deputada estadual Professora Bebel (PT), diz que só aceita a volta após a vacinação contra o novo coronavírus, e de forma gradual.

“É volta gradativa depois da vacina, porque não se sabe ainda tudo da vacina, temos que esperar para ver a eficácia”, diz.

Ela reconhece as dificuldades decorrentes do ensino à distância, mas afirma que, neste momento, é preciso priorizar a saúde. “É a vida acima de tudo, depois a gente vê o resto”, afirma.

Bebel critica também a falta de prioridade aos professores na imunização. “Nos colocaram na posição de essenciais, mas não querem nos priorizar na vacina.”

Secretário estadual da Educação, Rossieli Soares diz que o governo recorrerá à Justiça em caso de greve.

Ele afirma que o retorno presencial é inadiável devido às lacunas de aprendizagem e à profusão de casos de depressão e ansiedade entre os alunos.

“Crianças em fase de alfabetização não consolidaram conhecimentos do ano anterior e estão retrocedendo. Isso sem falar na aprendizagem de novos conteúdos em todas as faixas etárias, a despeito do enorme esforço que as escolas têm feito para manter o ensino à distância”, diz.

Segundo Soares, a rede está dotada de equipamentos de proteção individual e materiais de higiene, e 4.600 escolas reformaram seus banheiros com verba encaminhada no ano passado.

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