terça-feira, 15 setembro 2026
ANÁLISE NO STF

STF avalia se Alexandre de Moraes pode ser investigado por conversas com Vorcaro

Ministros analisam o caso após a PF identificar cerca de 50 mensagens entre o ex-banqueiro e um número atribuído ao ministro
Por
Redação
STF analisa se Alexandre de Moraes pode ser investigado por conversas com Daniel Vorcaro. Foto: Agência Brasil

O STF (Supremo Tribunal Federal) começa a analisar nesta terça-feira (15) se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado por uma suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, alvo de apurações sobre o Banco Master.

A sessão está marcada para as 10h e será transmitida pela TV Justiça e pela internet. A análise ocorre depois que a PF (Polícia Federal) identificou, na quebra do sigilo do celular de Vorcaro, conversas com um número atribuído ao ministro.

Segundo as informações encaminhadas ao STF, foram encontradas cerca de 50 mensagens entre Vorcaro e o número atribuído a Moraes antes da prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025.

Como o caso chegou ao STF
O caso estava sob a relatoria do ministro André Mendonça, que retirou o sigilo das informações em 1º de setembro e encaminhou as conversas ao novo relator, ministro Edson Fachin.

A apuração faz parte do caso Banco Master, relacionado à Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco e a tentativa de compra da instituição pelo BRB (Banco de Brasília).

Moraes não é o relator do caso Banco Master no STF. O contato com Vorcaro passou a ser questionado após a identificação das mensagens e também porque o escritório de advocacia Barci de Moraes, pertencente à família do ministro, prestou serviços ao banco.

O que dizem as mensagens
Em uma das mensagens identificadas pela PF, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações e citou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

O ex-banqueiro questionou se seria possível reverter o andamento das apurações com os dois. Não há, segundo as informações divulgadas sobre o caso, indícios de que Gonet ou Rodrigues tenham interferido nas investigações.

Em outra conversa, Vorcaro mencionou o juiz Ricardo Leite, responsável pelas investigações na Justiça Federal em Brasília, e perguntou se poderia ser preso.

Dois dias depois, em 17 de novembro, o ex-banqueiro foi preso por determinação de Leite. Meses mais tarde, o caso foi encaminhado ao Supremo.

Como será o julgamento
A sessão deve começar com a leitura da ata da reunião anterior e as saudações de praxe feitas por Fachin. Em seguida, o relator apresentará o relatório do caso.

Depois, a PGR (Procuradoria-Geral da República) terá a palavra. Na sequência, os ministros deverão iniciar a votação.

O STF ainda não confirmou se Moraes participará da sessão. A presença do ministro Dias Toffoli também não foi confirmada.

O julgamento poderá ser interrompido se algum ministro apresentar uma questão de ordem. Também é possível que haja pedido de vista, o que suspenderia a análise.

O que dizem Moraes e a PGR
Moraes não se manifestou especificamente sobre o conteúdo das conversas divulgadas. Após o envio das informações a Fachin, o ministro incluiu Mendonça no inquérito das fake news e o acusou de direcionar a investigação contra ele por motivos políticos. Fachin posteriormente desfez a inclusão.

Já Paulo Gonet, citado nas mensagens, defendeu a anulação do relatório da PF que identificou as conversas.

Segundo o procurador-geral, Mendonça teria investigado Moraes de forma ilegal ao determinar o aprofundamento das apurações sobre o caso Banco Master para analisar as conversas entre o ministro e Vorcaro.

Na avaliação de Gonet, esse aprofundamento dependeria de autorização do plenário do STF. *Com informações de Agência Brasil

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