
A Defesa Civil realizou nesta quarta-feira (9) um simulado do PAE (Plano de Ação de Emergência) da PCH (Pequena Central Hidrelétrica) Americana, localizada na Avenida João Abdalla, nas proximidades da Casa do Salto Grande. A atividade reuniu equipes de segurança e representantes das Defesas Civis de Americana, Limeira, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Piracicaba.
O treinamento teve como objetivo avaliar os procedimentos previstos para uma eventual emergência na barragem e orientar os municípios sobre as medidas necessárias para proteger a população. A ação também permitiu testar a comunicação entre os órgãos envolvidos e identificar pontos que precisam ser aperfeiçoados.
Durante a atividade, a CPFL Renováveis apresentou informações sobre a estrutura da barragem, as tecnologias utilizadas e os níveis de segurança previstos no plano. Segundo Arthur Mantese, gerente de Segurança de Barragens da CPFL Renováveis, o documento estabelece diferentes níveis de resposta. “Os níveis são classificados em normal, atenção, alerta e emergência dentro do Plano de Ação de Emergência. É uma escala que aumenta até o nível de emergência, quando entendemos que existe uma situação real de emergência com a barragem.”
Dinâmica do simulado
Os participantes também conheceram o possível trajeto da água em um cenário de rompimento, com uma estimativa do tempo necessário para que ela alcançasse diferentes pontos. Com base nessas informações, representantes das Defesas Civis participaram de um simulado de mesa para definir estratégias de evacuação e controle da situação. A atividade ainda incluiu uma simulação de campo, com acionamento de efeitos sonoros e procedimentos de evacuação.
Em Americana, foram definidos oito pontos de encontro para situações de emergência. Eles ficam na Avenida Nicolau João Abdalla, na portaria da Indústria Santista e próximo à captação da Goodyear; na Avenida José Fortunato Santoni, perto da SGLL, no sentido Campinas; na Avenida Afonso Pansan, nas proximidades da empresa Nova Giulen; na Avenida Lírio Corrêa, perto da captação de água do DAE; nas proximidades da Casa de Cultura Hermann Müller; próximo à Avenida São Jerônimo e à Térmica Carioba; e na Avenida São Jerônimo, perto da empresa Umicore.
De acordo com João Miletta, coordenador da Defesa Civil de Americana, o treinamento ajuda a identificar falhas e aprimorar os procedimentos de emergência. “Justamente o simulado é para corrigir alguns erros sobre a sirene e sobre o pessoal que está vindo. Agora estão recebendo mensagem pelo telefone, avisando as fábricas. Isso é para saber se tudo correu bem e identificar possíveis erros. É muito importante fazer o simulado, porque espero que isso não aconteça, mas, se acontecer um rompimento, a gente tem que estar preparado.”
O coordenador afirmou ainda que as áreas próximas ao rio exigem atenção especial. “Os que estão mais perto do rio, por exemplo, o bairro Zanaga e a Vila Bela, têm bastante edificações próximas ao rio. A gente vai montar um plano para saber onde estão essas áreas, mas Americana é o município que tem mais edificações perto do rio. Isso exige bastante cuidado.”

Rodovia também entra no planejamento
No cenário apresentado durante o treinamento, a Rodovia Anhanguera também poderia ser afetada por um eventual rompimento da barragem. Nesse caso, seria necessário acionar a Polícia Militar Rodoviária para auxiliar no controle do tráfego e na segurança da área.
A CPFL Renováveis informou que a população foi comunicada previamente sobre o funcionamento das sirenes usadas no simulado. Em uma situação real de emergência, o acionamento do sistema orientaria os moradores a seguir pelas rotas de fuga até os pontos de encontro. “Caso tenhamos uma situação de emergência, as sirenes vão tocar e a população vai se dirigir aos pontos de encontro através das rotas de fuga. A Defesa Civil complementa com os planos de contingência dos municípios para poder resgatar essas pessoas e dar o devido destino para elas”, explicou Arthur Mantese.
A empresa também afirmou que a elevação natural do nível dos rios em períodos de cheia não representa, por si só, risco de rompimento da barragem. “O que a gente tem são os níveis naturais dos rios. Em períodos de cheia, eles se elevam. Isso já é de conhecimento das Defesas Civis. A gente também tem uma política de comunicar às Defesas Civis caso perceba um aumento dessas vazões que eventualmente possa alagar algumas regiões, mesmo que isso não represente nenhum risco relacionado à barragem.”
Piracicaba também participou do planejamento
Apesar de estar mais distante da PCH Americana, Piracicaba também integra o planejamento para uma eventual emergência. Segundo Gisson Amorim Costa, da Guarda Civil de Piracicaba, o município precisa considerar possíveis impactos em estruturas e áreas próximas ao Rio Piracicaba.
“Especificamente nessa situação de rompimento de barragem, temos o comprometimento de algumas estruturas físicas previstas no nosso plano, nas quais precisamos atuar. Temos que pensar em como a cidade vai se comportar. Piracicaba, diferente de algumas outras cidades, tem o rio cortando toda a área urbana. Ele passa pelo meio da cidade. Por isso, precisamos pensar nessas estruturas e em como podemos mitigar os efeitos que eventualmente venham a surgir.”
A CPFL Renováveis reforçou que o simulado tem caráter preventivo e integra o planejamento de segurança da barragem.





