quarta-feira, 9 setembro 2026
DECISÃO NO LEGISLATIVO

Sessão da Câmara de Campinas que pode cassar mandato de Vini Oliveira já ultrapassa 4 horas; acompanhe

Comissão Processante recomenda a perda do mandato por quebra de decoro durante fiscalização de licitação do transporte público
Por
Guilherme Pierangeli
Vini Oliveira acompanha leitura do relatório da Comissão Processante que pede sua cassação. Foto: Guilherme Pierangeli/TV TODODIA

A Câmara de Campinas iniciou na manhã desta quarta-feira (9) o julgamento que vai definir o futuro do mandato do vereador Vini Oliveira (Cidadania). A sessão começou às 9h e a primeira etapa foi a leitura do relatório da Comissão Processante, que recomenda a cassação do parlamentar.

A leitura foi feita pelo vereador Guilherme Teixeira, integrante da Mesa Diretora, e terminou por volta do meio-dia, após cerca de três horas. O documento considera procedente a denúncia apresentada pela vereadora Mariana Conti (PSOL) e aponta quebra de decoro parlamentar pelo uso da prerrogativa de fiscalização durante o processo de licitação do transporte público.

Denúncia aponta favorecimento
Segundo Mariana Conti, autora da denúncia, Vini Oliveira teria utilizado a função de vereador para favorecer uma empresa que participava da licitação. “É uma quebra de decoro, porque o vereador Vinícius Oliveira estava usando o seu papel, a sua prerrogativa fiscalizatória, pra favorecer uma empresa que estava participando do processo licitatório. Ou seja, isso é quebra de decoro. O processo licitatório parte do pressuposto que as empresas vão concorrer em condição de igualdade.”

A defesa do vereador contesta a conclusão da Comissão Processante e afirma que não existem elementos suficientes para justificar a perda do mandato. O advogado Luciano Stringhetti Silva de Almeida afirmou que a defesa será breve, apesar de ter direito a até duas horas para apresentar os argumentos. “A fala será breve, porque na verdade não existe nada o suficiente para cassar o mandato do vereador. Nenhum dos atos dele se enquadra no que a lei determina como suficiente para a cassação.”

Votações definem futuro do mandato
Após a leitura do relatório, tiveram início os discursos dos sete vereadores inscritos. Cada parlamentar pode falar por até 15 minutos. Na sequência, será realizada a defesa oral de Vini Oliveira, com duração de até duas horas. Somente depois dessas etapas serão realizadas as duas votações que vão definir o futuro político do vereador.

Na primeira votação, os parlamentares vão decidir se consideram procedente a acusação de corrupção. Na segunda, será analisada a existência de quebra de decoro parlamentar.

Para que o mandato seja cassado, são necessários pelo menos 22 votos favoráveis em qualquer uma das duas votações.

Público seguiu trocando provocações mesmo com a divisão realizada pela Guarda Municipal. Foto: Guilherme Pierangeli/TV TODODIA

Público se divide fora do plenário
No auditório do plenário, o público estava dividido praticamente meio a meio entre apoiadores e críticos do vereador. Com trocas de provocações e ofensas, os ânimos ficaram exaltados e a Guarda Municipal precisou formar um cordão de isolamento para evitar possíveis agressões.

Entre os defensores da cassação, a avaliação é de que Vini Oliveira ultrapassou os limites da função parlamentar ao atuar no processo de licitação do transporte público. “Com certeza, a gente acha que houve quebra de decoro. Está bem ilícito isso, né? Porque um vereador, ele tá para investigar. O vereador não tá lá para ir negociar uma licitação que não é parte do processo do que ele tem que fazer na Câmara. O que a gente vê hoje aqui em Campinas é um absurdo”, disse Edilene Santana.

Já os apoiadores de Vini Oliveira afirmam que o vereador estava exercendo a prerrogativa de fiscalização e que sua atuação na área do transporte público não deveria resultar na perda do mandato. “Na verdade, nós estamos do lado do Vini, por quê? O primórdio de tudo é a prerrogativa do vereador. E na Câmara Municipal de Campinas, o Vini é o único vereador que ele faz o que o vereador deve de fazer, o que tá prescrito para o vereador. Os demais não fazem”, comentou o nutricionista André Cardoso.

A sessão segue em andamento na Câmara de Campinas.

*Reportagem em atualização.

Receba as notícias do Todo Dia no seu e-mail
Captcha obrigatório

Veja Também

Veja Também