Aumento de casos de Influenza eleva movimento nas drogarias da região
Levantamento realizado pelo TODODIA em dez estabelecimentos das duas cidades aponta crescimento tanto nas vendas sob prescrição médica quanto por pessoas que optam pela automedicação, ou seja, acabam procurando uma farmácia antes mesmo de passar por avaliação médica e adquirem medicamentos cujo a venda não precisa de receituário.
Desde o início da semana, hospitais das duas cidades, assim como unidades de saúde de toda a região, têm apresentado um número maior de pacientes em busca de atendimento com sintomas de síndromes gripais.
Xaropes expectorantes, pastilhas de flurbiprofeno, além do antiviral Tamiflu são alguns dos medicamentos que já apresentam falta em distribuidoras.
“A demanda aumentou bastante, acredito que em 40%. As pessoas já chegam aqui com o receituário e acabam levando todos os medicamentos indicados”, comenta o farmacêutico Clóvis Gomiero, de uma drogaria do Centro de Americana.
“Registramos o dobro de procura por remédios para o tratamento de gripe, a grande maioria com prescrição. As pessoas saem do hospital e já passam na fármácia”, diz Joaquim Alcazas, farmacêutico de um estabelecimento do bairro Laudissi, em Santa Bárbara d’Oeste.
Farmacêutica de uma drogaria do Centro de Santa Bárbara, Edilaine Rodrigues comenta que o movimento no estabelecimento começou a aumentar antes mesmo das festas de fim de ano. “Já faz cerca de 15 dias que registramos um aumento de 40% nas vendas de remédios para gripe. Muita gente chega com coriza, dor de garganta e tosse. Alguns deles acabam passando pelos prontos-socorros da cidade e, por conta da demora no atendimento, desistem e vêm direto para farmácia procurando por remédios que já estão acostumados a tomar”, relata.
Edilaine explica que, nesses casos, os pacientes recebem orientação farmacológica e a recomendação para realizarem um teste de detecção de Covid-19, além de atendimento médico. “A procura tem sido tão grande, que já tenho dificuldades em comprar xapores. O Tamiflu (antiviral) está difícil de encontrar há quase um mês”, completa.
O farmacêutico Silnei Furlan, de uma drogaria do bairro Cariobinha, também afirma que xaropes e pastilhas para dor de garganta já começaram a faltar. “As vendas desses medicamentos dobrou na última semana. É muito receituário médico”, diz.
‘Surto é excepcional’
Para o infectologista André Giglio, o aumento da circulação do vírus H3N2, não era esperado, uma vez que o registro de casos de Influenza é maior durante os meses de inverno. “Essa epidemia de síndrome gripal que temos visto, com os casos tanto de SARS-CoV 2 quanto de Influenza, não era esperada. Estamos começando o verão e esse é um vírus que circula mais, sobretudo na região Sudeste, nos meses do inverno. Essa ocorrência fora da sazonalidade esperada é algo excepcional”, afirma.
Giglio comenta que com a pandemia de Covid-19, o H3N2 circulou menos durante o período em que é mais comum. “Fomos acumulando muita gente plenamente suscetível à Influenza sem nenhum tipo de imunidade”, diz o infectologista.
A recomendação do especialista é tomar a vacina contra Covid-19 no tempo previsto e manter as medidas de proteção. “Mesmo com a variante Ômicron, a vacina tem um bom nível de proteção. Muito possivelmente a vacina que vai ser distribuída este ano vai conter a cepa do H3N2. É essencial ainda a utilização de máscara de boa qualidade, evitar aglomerações, manter um distanciamento físico de outras pessoas e ter um cuidado com a higiene das mãos e superfícies, além do tratamento correto”, alerta Giglio.





