quinta-feira, 2 julho 2026
NA CORRIDA ELEITORAL

Pré-candidato ao governo de SP, Haddad aponta surgimento de milícias no estado durante visita a Hortolândia

Ex-ministro da Fazenda esteve em empresa em Hortolândia e falou sobre Segurança, Desenvolvimento, Educação e Saúde
Por
Vagner Salustiano
Pré-candidato posou para fotos na frente de empresa em Hortolândia. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

O economista e ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao Governo de São Paulo nas eleições de outubro, afirmou nesta quinta-feira (2), durante visita a uma empresa em Hortolândia, que o Estado enfrenta um agravamento na segurança pública e alertou para o surgimento de milícias em cidades paulistas. Segundo ele, grupos criminosos já estariam oferecendo serviços clandestinos de proteção a comerciantes e transportadores, situação que, na avaliação do petista, pode evoluir para organizações criminosas semelhantes às existentes no Rio de Janeiro.

Durante entrevista concedida após a agenda no município, Haddad também criticou a condução da segurança pública pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a retomada das câmeras corporais em uso contínuo pelos policiais militares e prometeu maior integração entre forças estaduais e federais no combate ao crime organizado.

Haddad alerta para avanço de milícias
Ao comentar a situação da segurança pública no Estado, Haddad afirmou que São Paulo começa a registrar um fenômeno semelhante ao observado em outras unidades da federação.

Segundo ele, grupos criminosos estariam cobrando pela prestação de serviços de segurança privada, principalmente no transporte de cargas.

“Está começando a entrar a milícia em São Paulo, vendendo serviços de segurança. Enriquecendo poucas pessoas, mas empobrecendo quem tem que contratar a milícia para proteger sua carga.”

Para o pré-candidato, a ausência de ações de inteligência pode permitir que essas organizações se fortaleçam.

“Num primeiro momento, ela passa uma sensação de segurança; no momento seguinte virou uma organização criminosa. Não podemos deixar acontecer isso em São Paulo.”

Haddad também afirmou que produtores rurais têm relatado aumento de roubos em fazendas, sítios e chácaras do interior paulista, defendendo políticas específicas para reforçar a segurança no campo.

Críticas à política de segurança
O petista também criticou os indicadores de violência registrados no Estado e afirmou que Campinas apresentou aumento de homicídios dolosos e de casos de estupro de vulneráveis.

Segundo Haddad, a primeira medida de um eventual governo seria retomar o uso contínuo das câmeras corporais pelos policiais militares.

“Nós temos que voltar com as câmeras nas fardas em tempo contínuo. Isso protege o policial também. Você vai diminuir a letalidade policial e também a morte de policiais.”

Ele também defendeu uma política permanente de ocupação dos territórios por meio de inteligência policial.

“O patrulhamento não está seguindo diretrizes de inteligência. Com uso de tecnologia e inteligência se recupera o território”, afirmou.

Outra crítica foi direcionada ao relacionamento entre o Governo do Estado e órgãos federais de investigação.

Segundo Haddad, falta integração entre as instituições responsáveis pelo combate ao crime organizado.

“Essa resistência do Tarcísio a fazer parceria com a Polícia Federal, com a Receita Federal e com o Coaf não faz o menor sentido.”

Gabinete permanente
Caso seja eleito governador, Haddad afirmou que pretende criar, já no primeiro dia de mandato, um gabinete permanente de combate ao crime organizado.

Segundo ele, participariam da estrutura representantes da Polícia Federal, Receita Federal, Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Ministério Público Federal, Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Polícia Militar e Polícia Civil.

De acordo com o pré-candidato, o compartilhamento permanente de informações permitiria ampliar operações conjuntas contra organizações criminosas e esquemas de lavagem de dinheiro.

Petista falou sobre temas como Segurança Pública, Saúde e Educação. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Desenvolvimento econômico
Durante a visita, Haddad também apresentou propostas para a economia paulista e criticou o desempenho recente do Estado.

Segundo ele, São Paulo perdeu protagonismo econômico e cresce abaixo da média nacional.

O ex-ministro defendeu o fim da chamada guerra fiscal entre os estados e afirmou que a reforma tributária aprovada pelo governo federal poderá favorecer o retorno de empresas ao território paulista.

“São Paulo está perdendo tração. Nós precisamos dinamizar o Estado com um plano de desenvolvimento.”

Haddad afirmou ainda que pretende estimular novos investimentos por meio de segurança jurídica, melhoria da segurança pública e aproveitamento das mudanças previstas na reforma tributária.

Educação
Na área da educação, o pré-candidato afirmou que São Paulo perdeu protagonismo nacional e criticou indicadores de aprendizagem.

Segundo Haddad, estados como Ceará, Pernambuco, Espírito Santo e Goiás apresentam desempenho superior ao paulista em diversas avaliações educacionais.

O petista também afirmou que professores da rede estadual estariam desmotivados e defendeu maior valorização da categoria.

“O que eu sinto da escola pública do Estado é que os professores estão se sentindo desprestigiados.”

Ele também criticou a situação das Etecs (Escolas Técnicas Estaduais), apontando precarização da infraestrutura e falta de docentes em disciplinas como Matemática, Física, Química e Biologia.

Saúde
Haddad afirmou ainda que um eventual governo priorizará a redução das filas por consultas, exames e cirurgias no SUS (Sistema Único de Saúde).

Segundo ele, a principal deficiência da rede estadual atualmente é a falta de médicos especialistas.

“Precisamos dinamizar a fila. Ainda temos muita gente aguardando exames e cirurgias no Estado de São Paulo”, concluiu.

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