Mesmo com assembleia que sinaliza greve no funcionalismo, Leitinho anuncia que vai mandar ao Legislativo projeto com reajuste de 10,5%; sindicalista, que se diz ameaçado, afirma que paralisação está suspensa
A Prefeitura de Nova Odessa encaminhará projeto de lei com proposta de 10,5% de reajuste salarial para deliberação na Câmara, mesmo depois que servidores municipais rejeitaram a proposta em assembleia e votaram a favor de uma greve. O prefeito Cláudio Schooder (PSD), o Leitinho, informou a decisão à diretoria do SSPMANO (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Nova Odessa) nesta sexta-feira (1º).
Em vídeo gravado durante a reunião, o presidente do Sindicato afirma que a atitude de enviar o projeto de lei com o reajuste à Câmara é desrespeito à decisão da assembleia.
“Por enquanto, a greve está suspensa. Eu vou deixar o prefeito incorrer no ato (de encaminhar o projeto), porque ele incorrendo fica claro que ele se impôs antes da decisão, ou seja, a greve nem se instalou ainda”, disse Adriano José do Carmo Rosa ao TODODIA.
De acordo com comunicado da prefeitura, o projeto de lei a ser enviado à Câmara assegura o reajuste imediato de 10,5% nos salários de toda a categoria, composta por cerca de 1.600 servidores, além do reajuste de 39,4% do cartão da cesta básica (que passa para R$ 700,00) e o aumento do adicional de “Meritocracia” dos educadores com pós-graduação em mais 4,5% de aumento real nos salários (que sobe dos atuais 7% para 11,5%).
Prefeito e secretários informaram que o envio do projeto de lei não encerra a negociação do dissídio coletivo deste ano, que deve continuar normalmente.
Leitinho também afirmou aos dirigentes sindicais que os reajustes podem ser pagos imediatamente a toda a categoria através do processamento de uma folha adicional referente a março, que é a data base do funcionalismo municipal.
Ainda segundo comunicado da prefeitura, Leitinho conclamou os servidores em geral a mantero atendimento ao público e evitar a greve “nesse momento em que as famílias estão começando a sair da pandemia, em que as mães de família estão voltando ao mercado de trabalho e precisam deixar seus filhos na escola pública, em que muita gente precisa do atendimento no SUS (Sistema Único de Saúde)”.
DIVERGÊNCIAS
Carmo falou ao TODODIA que se sentiu ameaçado em discurso do prefeito durante reunião nesta sexta-feira.
“Fui literalmente ameaçado na presença de todos ali (…) pensei que iria lá hoje para receber uma proposta e no fim eu fui lá para ele me ameaçar”, disse.
Em vídeo gravado durante a reunião, o prefeito diz que tem documentos com supostas “contas particulares” de Carmo e questiona: “Você vai devolver os R$ 30 mil para o sindicato?”.
Em nota, a prefeitura ressaltou que a alegação do representante sindical não procede e que nenhum integrante da gestão municipal fez qualquer ameaça a ele.
Outro aspecto levantado por Carmo foi a menção do prefeito à investigação do assassinato do ex-secretário de governo de Nova Odessa, Marco Antônio Barion, o Russo, assassinado em janeiro. O presidente do sindicato foi convocado para depor após dizer em live em rede social que a morte de Russo estaria relacionada a fraudes em licitações.
“Ao final da reunião, houve realmente um apelo do chefe do Executivo para que o presidente do Sindicato focasse seus objetivos apenas no interesse dos servidores, deixando de lado qualquer outro interesse político que pudesse ‘contaminar’ o ambiente das negociações ou mesmo de uma eventual greve. Isto foi dito em razão dos recentes vídeos gravados pelo presidente do sindicato no interior da entidade sindical nos últimos meses, com ilações sobre diversos assuntos que não dizem respeito à pauta do dissídio coletivo dos servidores públicos municipais”, informou a prefeitura.
Em nota, a administração municipal afirma que solicitou a reunião para explicar a decisão de encaminhar o PL para a Câmara.
De acordo com a prefeitura, o projeto de lei “apenas adianta os índices já propostos, enquanto continuam as negociações, e não precisaria de qualquer tipo de “aval” ou “assinatura” dos dirigentes da entidade de classe. (…) Dessa forma, mesmo que o dissídio coletivo demore para ser finalizado, os 1.600 servidores já poderiam receber os referidos reajustes”, finaliza o texto da prefeitura.





