É na tela do computador que a criatividade ganha espaço entre os estudantes. O Projeto Conecta Mundo, Jovens Digitais chegou à Escola Estadual Dr. João Thienne, em Nova Odessa, com oficinas gratuitas durante o mês de agosto. A iniciativa ensina os alunos a desenvolver jogos, aplicativos e outras ferramentas digitais, usando a programação como instrumento de aprendizado e criação.
Contemplado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, do Governo do Estado de São Paulo, o projeto é produzido pela MR2 Cultural. Em seis anos de realização, a iniciativa já beneficiou mais de 500 adolescentes de mais de 20 escolas, distribuídas por dez cidades de três estados brasileiros.

Alunos aprendem programação na prática
Durante as oficinas, os estudantes pesquisam sobre o próprio município e transformam as informações em projetos digitais. A proposta é fazer com que eles deixem de ser apenas usuários e passem também a criar tecnologia. Segundo o professor e educador de tecnologias Marcelo Coelho Lira, esse é um dos principais objetivos do projeto. “O que eu ensino é observar o aluno, fazer com que ele descubra que ele é capaz de criar tecnologia e não apenas consumir.”
Para Marcelo, o contato com a programação também muda a forma como os jovens enxergam suas próprias capacidades. “Ele sai daquela caixinha pequena, daquele mundinho que ele tinha, onde ele só observava os outros fazerem, e ele passa a ampliar a visão dele. Eu consigo criar coisas também, não sou mais um consumidor, eu sou um participante disso”, explica.
Além do conhecimento técnico, o professor destaca o desenvolvimento de habilidades emocionais. Segundo ele, alunos que tinham dificuldade para falar em público passaram a apresentar os próprios projetos e expor suas ideias. “Principalmente o que o mercado de trabalho chama como soft skills, habilidades emocionais. Em pouco tempo já melhoraram bastante.”
O projeto também busca estimular uma relação diferente com a tecnologia. Marcelo afirma que alguns estudantes passaram a perceber que podem produzir conteúdo em vez de apenas consumir vídeos e utilizar as redes. “Não somente está vendo esses vídeos, mas está criando o conteúdo.”
Programação deixa de ser um “bicho de sete cabeças”
A estudante Maria Luiza participou do Conecta Mundo em Campinas e conta que o projeto mudou a maneira de enxergar a internet. “O que mais chamou minha atenção foi o fato de eu conseguir conhecer mais o mundo da internet com outros olhos e poder entender como eu poderia usar a programação de um modo diferente para criar jogos e aplicativos.”
Ela também chegou às oficinas acreditando que aprender programação seria muito difícil. A experiência, porém, mudou essa percepção. “Eu cheguei imaginando que seria impossível, que eu não conseguiria aprender fácil. Depois que passa o tempo, a gente começa a aprender, começa a entender que não é difícil, é uma coisa simples, é só prestar bastante atenção.”
Durante as atividades, Maria Luiza participou da criação de sites, jogos e aplicativos. Entre os trabalhos desenvolvidos estavam jogos lúdicos e projetos relacionados ao conhecimento de Campinas, com informações sobre pontos turísticos da cidade.
Tecnologia também pode ajudar na educação
Apesar da experiência com programação, Maria Luiza não pretende trabalhar diretamente com o desenvolvimento de aplicativos, jogos ou sites. O objetivo dela é seguir na área da educação e da fonoaudiologia, inspirada pela mãe, que é professora de educação especial e trabalha com inclusão. Para ela, o conhecimento adquirido no projeto pode ser útil também nesse caminho. “A tecnologia é um grande auxiliar, um ajudante, um facilitador nisso também.” A estudante acredita que recursos tecnológicos podem contribuir para atividades de aprendizagem por meio de jogos e brincadeiras.
Parceria com escolas públicas
Segundo Marcelo, levar o projeto para dentro das escolas públicas também fortalece a relação dos estudantes com a própria comunidade. O Conecta Mundo fornece computadores, professores e material pedagógico, enquanto as escolas disponibilizam o espaço para a realização das atividades. “O jovem aprende o quê? Nossa, eu não estou sozinho no mundo, tem gente me apoiando.”
Na avaliação do professor, a experiência amplia o papel da escola e mostra aos estudantes que o aprendizado também pode acontecer por meio da tecnologia e da criação. “É essa parceria que fortalece o jovem em toda a sociedade. Todo mundo ganha com isso.”





