quarta-feira, 29 abril 2026
ÁGUA TURVA

Água com cheiro e gosto ruim continua e preocupa moradores de Paulínia

Prefeitura cobra providências da Sabesp e acompanha o caso com órgãos de fiscalização enquanto moradores seguem relatando impacto no consumo e na rotina
Por
Thayla Nogueira
A Sabesp afirma que a água distribuída não perdeu a potabilidade e que o problema está relacionado a alterações pontuais no Rio Jaguari. Foto: Thayla Nogueira/TV TODODIA

Moradores de Paulínia seguem enfrentando problemas no abastecimento de água e relatam, há cerca de duas semanas, mudanças no cheiro, no gosto e na aparência da água em diferentes regiões da cidade. As reclamações atingem bairros como João Aranha, Centro e Monte Alegre e continuam mesmo após as primeiras medidas anunciadas pela Sabesp.

Diante da repercussão, a Prefeitura se reuniu com representantes da concessionária e do Governo do Estado para discutir o caso e cobrar providências. O acompanhamento também envolve a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a Arsesp (Agência Reguladora) e as vigilâncias sanitárias municipal e estadual.

Segundo o prefeito Danilo Barros (PL), não há registro de aumento significativo de atendimentos médicos relacionados à água até o momento, mas o monitoramento segue intensificado. “Em muitos bairros ainda continua o cheiro, a cor inclusive na minha casa está assim… mas se você comparar com a semana passada, nós estamos abaixo da média. Não há surto”, afirmou.

A Vigilância Sanitária municipal realizou visitas à estação de tratamento e solicitou laudos técnicos para uma análise mais detalhada. A Prefeitura também pretende coletar amostras diretamente em residências para verificar a qualidade da água que chega à população.

Sabesp aponta causa e medidas
A Sabesp afirma que a água distribuída em Paulínia não perdeu a potabilidade e que o problema está relacionado a alterações pontuais no Rio Jaguari, manancial que abastece a região. “Não houve alteração na questão da potabilidade. A água sempre esteve potável… houve um acúmulo de substâncias no rio Jaguari que liberou odores no processo de tratamento”, explicou o diretor regional da companhia, Valdemir Freitas.

De acordo com a empresa, a principal medida adotada foi a aplicação de carvão ativado no tratamento, com o objetivo de eliminar o gosto e o cheiro antes da distribuição. “A gente adicionou carvão ativado, que retém essa possibilidade de odor e gosto antes de chegar na casa dos clientes”, disse.

A Sabesp também destaca que realiza monitoramento constante tanto na estação de tratamento quanto nos pontos de consumo e afirma que os casos registrados são atendidos individualmente.

Impacto na rotina e no bolso
Apesar das garantias técnicas, moradores continuam relatando desconforto e desconfiança em relação à água consumida. “Você ainda sente um odor característico da água e um paladar desagradável… não dá para tomar uma água com gosto ruim”, afirmou o morador Rogério Nubor.

Segundo ele, o problema tem gerado custos extras para muitas famílias. “Já vai fazer duas semanas que estamos sendo obrigados a comprar água para beber”, relatou.

Além da questão imediata, moradores também apontam um histórico recente de instabilidade no abastecimento, com episódios de falta de água e outras alterações na qualidade.

Orientação aos moradores
Enquanto a situação não é totalmente resolvida, a orientação é que os moradores registrem reclamações e solicitem análise da água diretamente com a Sabesp. Os atendimentos podem ser feitos pelos canais oficiais da concessionária por telefone, no 0800 055 0195, ou por WhatsApp, no número (11) 3388-8000.

A companhia afirma que os chamados ajudam a mapear ocorrências e direcionar as ações necessárias. Especialistas e autoridades também alertam que o problema pode persistir dentro das residências por conta da água armazenada em caixas d’água, sendo recomendada a limpeza dos reservatórios para evitar a manutenção de odor e gosto desagradáveis.

Mesmo com a expectativa de normalização gradual, a população cobra uma solução definitiva e mais transparência. “A gente espera que a qualidade da água volte a ser o que sempre foi… sem gosto, sem cheiro, sem turbidez”, disse o morador.

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