
As críticas à Piracicaba Ambiental voltaram a ganhar espaço na Câmara Municipal de Piracicaba, desta vez em uma sequência de manifestações de vereadores da base de apoio ao prefeito Helinho Zanatta.
Felipe Gema, Zezinho Pereira, Gustavo Pompeo, Gesiel de Madureira e Renan Paes cobraram melhorias na limpeza urbana, na coleta de resíduos e na manutenção de lixeiras, e voltaram a defender medidas mais duras contra a concessionária, incluindo a possibilidade de encerramento do contrato.
A discussão teve como ponto de partida a situação das lixeiras públicas. Felipe Gema afirmou que já havia apresentado requerimento sobre o assunto em março de 2025 e que, segundo resposta do Executivo, reparos ou substituições deveriam ocorrer, em média, entre 15 e 20 dias.
Agora, ele cobra uma planilha detalhada com datas, locais e serviços realizados, argumentando que muitas lixeiras seguem quebradas ou sem reposição.
Na avaliação dos parlamentares, o problema não se concentra em uma única região. Foram citados pontos da área central, Vila Rezende, Dona Francisca, Avenida Independência, Praça da Escola Moraes Barros, Rua do Porto e Santa Teresinha. As reclamações também envolvem equipamentos maiores, como caçambas e lixeiras, que, segundo os vereadores, teriam sido retirados de determinados locais sem reposição.
Fiscalização pelo Poder Público
Zezinho Pereira reforçou a cobrança e questionou a fiscalização exercida pelo município sobre o contrato. Segundo ele, se os moradores pagam pelo serviço, a empresa precisa cumprir as obrigações previstas contratualmente.
O vereador também afirmou que recebe reclamações de moradores e que, em diferentes pontos da cidade, a percepção é de redução dos equipamentos destinados ao descarte correto de resíduos.
Gustavo Pompeo ampliou o tom das críticas ao diferenciar os trabalhadores da empresa de sua administração. Ele elogiou garis e varredeiras, mas disse que sua insatisfação é direcionada à gestão da Piracicaba Ambiental.
O vereador também questionou o aumento da cobrança pela coleta de lixo diante do que considera uma prestação insatisfatória e afirmou que não seria aceitável elevar o custo para a população sem entregar melhora proporcional no serviço.
Gesiel de Madureira, por sua vez, apresentou um exemplo concreto ao mostrar um vídeo de um ponto de descarte irregular no Gilda 3. De acordo com o relato feito na tribuna, o local já havia sido alvo de requerimentos e pedidos para instalação de câmeras e placas de orientação.
O vereador afirmou que, mesmo depois da passagem de máquinas e caminhões, o problema continuaria, com novos resíduos sendo descartados na área.
As críticas de Renan Paes também atingiram o serviço de Cata-Cacareco e a coleta de materiais inservíveis. O parlamentar questionou a efetividade do atendimento pelo telefone 156 e relatou dificuldades para que determinados resíduos sejam recolhidos.
A avaliação é de que não basta disponibilizar canais de reclamação se as solicitações não resultarem em providências concretas.
Caducidade de contratação
A pressão dos vereadores não é inédita. Em maio de 2022, Gustavo Pompeo já havia apresentado requerimento cobrando informações sobre a fiscalização da PPP do lixo e sobre a ausência de penalidades aplicadas à Piracicaba Ambiental.
Na ocasião, a Câmara discutiu o cumprimento das obrigações previstas no contrato e as providências administrativas adotadas pelo Executivo.
Também em 2021, Zezinho Pereira apresentou o Requerimento 946/21, questionando aspectos da operação da Piracicaba Ambiental, entre eles o processamento de resíduos no Ecoparque, o acúmulo de materiais e a quantidade de caminhões destinados à coleta seletiva.
Mais recentemente, em junho de 2026, a própria Câmara registrou novas críticas à frequência da coleta, ao recolhimento de recicláveis e inservíveis e às obrigações estabelecidas no contrato. Na mesma ocasião, Zezinho chegou a sugerir a possibilidade de uma CPI para investigar o cumprimento da PPP.
A possibilidade de encerramento do contrato também não surgiu agora. Em novembro de 2023, a Prefeitura instaurou formalmente um processo administrativo de caducidade contra a Piracicaba Ambiental, depois de apontar que descumprimentos contratuais não haviam sido saneados no chamado Processo de Cura.
A notificação registrou fortes indícios de permanência das irregularidades e deu à concessionária prazo para apresentar defesa.
O processo avançou durante 2024. Segundo nota oficial divulgada pela Prefeitura em dezembro daquele ano, estudos realizados pela FIPE identificaram falhas consideradas significativas e apontaram mais de R$ 600 milhões em créditos que deveriam ser devolvidos ao município.
A ARES-PCJ, ainda segundo a Prefeitura, reconheceu a regularidade do processo e deu anuência favorável à possibilidade de decretação da caducidade, mas uma última oportunidade de defesa foi concedida à empresa antes da decisão final.
A questão permanece em tramitação em 2026. Em resposta a questionamentos apresentados à Prefeitura, documentos oficiais informaram que parte das multas aplicadas está em dívida ativa e que outras situações estão sendo tratadas dentro do processo de caducidade, encaminhado também ao Ministério Público.
A administração municipal afirmou ainda que, com apoio da FIPE, estava na etapa final de elaboração dos elementos necessários para a conclusão do procedimento.
Apesar da sucessão de cobranças, o contrato continua vigente. A revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico publicada em 2026 informa que a concessão administrativa, em operação desde 2012, atribui à Piracicaba Ambiental atividades como coleta, transporte e destinação dos resíduos, e registra vigência contratual até 2032.
O próprio contrato estabelece que a caducidade é uma medida excepcional, condicionada à comprovação de inadimplência em processo administrativo, com direito à ampla defesa e ao contraditório.
Pressão na base
O que chama atenção no episódio atual é que a pressão parte também de vereadores que integram a base do governo Helinho Zanatta. Em vez de uma oposição isolada à administração municipal, as manifestações mostram uma cobrança interna por fiscalização e resultados.
O discurso predominante é de que a população paga pelo serviço e, por isso, a Prefeitura precisa exigir que a concessionária cumpra integralmente o que foi contratado — e, caso as falhas persistam, adote as medidas administrativas previstas na legislação e no próprio contrato. Até o fechamento desta reportagem, nem a Prefeitura nem a Piracicaba Ambiental haviam retornado um posicionamento sobre as críticas dos vereadores.





