segunda-feira, 24 agosto 2026
UNIDADE DE SAÚDE OU ÁREA DE LAZER?

Piracicaba debate mudança de área de lazer para construção de nova UBS

Projeto prevê transformar parte de espaço no Jardim Lydia em área institucional para receber unidade de saúde
Por
Paulo Eduardo Carlim
Projeto propõe a destinação de “sistema de lazer”, transformando-a em área de “uso institucional” para construção de nova unidade de saúde. Foto: Divulgação

A proposta de destinar parte de uma área de lazer localizada no loteamento Jardim Lydia, na região do IAA-Santa Teresinha, para a construção de uma nova UBS (Unidade Básica de Saúde) foi debatida durante audiência pública realizada na sexta-feira (21), no plenário da Câmara Municipal de Piracicaba.

O encontro reuniu representantes da Prefeitura, vereadores, moradores e entidades ligadas às áreas de planejamento urbano e meio ambiente. O debate teve como foco o PL (Projeto de Lei) 190/2026, de autoria do Executivo, que propõe alterar a destinação de uma área localizada na confluência das ruas Dublin, Berna e Bucareste.

Pela proposta, o espaço atualmente destinado como sistema de lazer passaria a ser classificado como área de uso institucional, permitindo a construção da nova unidade de saúde para atender principalmente os moradores da região do IAA.

A audiência foi convocada pela CLJR (Comissão de Legislação, Justiça e Redação), por meio do requerimento 756/2026, assinado pelo presidente do colegiado, vereador Gustavo Pompeo (Avante), além de Renan Paes (PL) e Edson Bertaia (MDB).

Prefeitura defende localização do terreno
Ao defender a proposta, o secretário municipal de Obras, Infraestrutura e Serviços Públicos, Luciano Celêncio, afirmou que a escolha do terreno considerou a facilidade de acesso e a falta de outras áreas institucionais disponíveis nas proximidades que não estivessem inseridas em APPs (Áreas de Preservação Permanente).

Segundo o secretário, o terreno possui ruas em todas as laterais e apresenta condições para receber a unidade. A Prefeitura optou, de acordo com Celêncio, por utilizar a menor parcela possível da área municipal de lazer. Também de acordo com ele, 12 árvores foram suprimidas no local, sendo seis nativas e seis exóticas. Como compensação ambiental, estão previstos o plantio de 105 novas mudas.

A futura UBS deverá ocupar cerca de 30% do terreno, com aproximadamente 678 metros quadrados de área construída.

Obra poderá ser feita em módulos
A nova unidade deverá ser construída com módulos pré-fabricados. Segundo Luciano Celêncio, o sistema poderá reduzir o tempo de execução da obra.

Após a preparação do radier, estrutura que funciona como base da edificação, os módulos poderão ser montados em menos de uma semana, conforme a previsão apresentada pelo secretário durante a audiência.

Nova UBS terá 9 consultórios
O secretário municipal de Saúde, Gustavo Aguiar, afirmou que a nova unidade permitirá transferir para o Jardim Lydia as equipes que atualmente atendem na UBS Santa Teresinha. A mudança está relacionada à necessidade de substituir a antiga USF (Unidade de Saúde da Família) IAA 1, que funcionava em um imóvel pertencente ao Governo Federal e apresentava condições consideradas inadequadas.

Conforme a justificativa do projeto, os atendimentos foram transferidos provisoriamente para a UBS Santa Teresinha, localizada a cerca de dois quilômetros do endereço original. A distância passou a dificultar o deslocamento de parte dos moradores. A estrutura prevista terá quatro consultórios clínicos, quatro multiprofissionais e um odontológico, além de três salas de procedimentos, espaços para imunização, acolhimento e reuniões e uma farmácia. A proposta também prevê a ampliação dos serviços, com atendimentos de pediatria, ginecologia e odontologia.

Para Gustavo Pompeo, a audiência foi importante para apresentar as informações técnicas e esclarecer dúvidas antes da análise do projeto pela Câmara. A comissão reuniu representantes das áreas de Saúde, Meio Ambiente, Obras e Procuradoria.

Vereadores questionam escolha da área
Apesar da defesa da Prefeitura, a utilização da área de lazer também recebeu críticas durante a audiência.

A vereadora Silvia Morales (PV) questionou principalmente a retirada de árvores antes da realização da audiência pública. A parlamentar afirmou que não é contrária à construção da unidade de saúde, mas defendeu que outras opções de terrenos sejam avaliadas. Segundo Silvia, áreas verdes consolidadas também desempenham função relacionada à saúde e ao bem-estar da população. Uma representação apresentada por ela foi encaminhada ao Ministério Público Estadual para questionar a medida.

A vereadora Rai de Almeida (PT) também defendeu a ampliação da rede de Saúde, mas considerou necessário preservar as áreas verdes existentes. Segundo ela, a crise climática exige a manutenção e ampliação desses espaços para reduzir o calor, preservar a água e melhorar a qualidade de vida.

Moradores pedem alternativas
Moradores e representantes de entidades de planejamento urbano e meio ambiente também defenderam que sejam estudadas alternativas para a construção da UBS. Entre as possibilidades citadas estão a utilização de outras áreas públicas ou privadas que possam ser locadas ou desapropriadas.

O chefe da Procuradoria Jurídico-Administrativa da Prefeitura, Francisco Farhat, explicou que a desapropriação é uma possibilidade prevista em lei, mas depende da avaliação do interesse público. Segundo ele, cabe ao poder público analisar as alternativas disponíveis e escolher aquela que, na avaliação da administração, melhor atenda à coletividade.

Ao final da audiência, permaneceram em discussão dois pontos principais: a necessidade de oferecer uma estrutura de Saúde adequada e mais próxima dos moradores e a preservação da área de lazer utilizada para a construção da unidade.

O PL 190/2026 seguirá a tramitação na Câmara Municipal de Piracicaba e deverá ser analisado pelas comissões antes de eventual votação em plenário.

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