Entidade de classe diz que número é o “maior da história” e critica contingente insuficiente da polícia
O déficit de policiais civis na RMC (Região Metropolitana de Campinas) é de, ao menos, mil servidores. O número é classificado pelo presidente do Sindpol (Sindicato dos Policiais Civis) de Campinas, Aparecido Lima de Carvalho, como “o maior da história” da corporação. Segundo o Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), em todo o estado faltam mais de 15 mil policiais civis. Entre 2019 e 2021, o déficit passou de 13.553 servidores para 15.032. Os dados são mensurados pelo sindicato desde 2017.
“A nossa polícia está velha. São aproximadamente 37% em idade para se aposentar. É triste porque não conseguimos ver medidas a curto e médio prazo que consiga resolver esse problema”, afirma Carvalho.
Ele explica que, apenas em Campinas, seriam necessário 300 servidores. “Se consideramos Sumaré, Hortolândia, Americana, Santa Bárbara d’Oeste e outras cidades da região este número chega a mil. E só está aumentando”, diz.
Um levantamento feito pela Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) mostra que, enquanto a corporação contava com 29.717 policiais em atuação em 2018, em 2021 o número era de 27.524 servidores na ativa. Os motivos para a redução são diversos. Entre setembro e janeiro de 2021, por exemplo, 211 pediram exoneração, 734 aposentaram, 63 foram vítimas de Covid-19, seis se suicidaram e um morreu em serviço.
Carvalho afirma que a entidade já apresentou propostas de medidas paliativas para resolver o problema, como a contratação de policiais aposentados para áreas administrativa, a terceirização de algumas funções e a parceria com guardar municipais, para que mais policiais estejam disponíveis para investigação, no entendo nenhuma delas ainda foi adotada pela SSP (Secretaria de Segurança Pública). “Temos pedido isso ao governo há anos”, comenta.
Questionada sobre o déficit, a SSP afirmou por meio de nota que a atual gestão já contratou 10,7 mil novos policiais, com 4,2 mil em cursos de formação e outras 5,6 vagas previstas em concursos já iniciados. “Além disso, o Governo de São Paulo tem investido na capacitação dos policiais, estimulando e custeando cursos de especialização em outros estados e fora do país, e em tecnologia, infraestrutura e equipamentos, novas armas, viaturas blindadas, para as forças de segurança, para dar mais dignidade aos profissionais”, diz a nota.
“O governo divulga que foram contratados mais de 10 mil policiais, mas eles não explicam que isso é a soma dos policiais militares e civis”, rebate Carvalho.





