segunda-feira, 22 junho 2026
MUDANÇA DE ESTAÇÃO

Inverno começa frio na região, mas deve terminar com temperaturas acima da média, segundo especialista do Cepagri da Unicamp

Estação que se iniciou no domingo terá primeira semana fria
Por
Nicoly Maia
A tendência é de elevação nas temperaturas, impulsionada pela formação do fenômeno climático El Niño. Foto: Reprodução/ Paulo Pinto/Agência Brasil

O inverno na RMC (Região Metropolitana de Campinas), que teve início neste domingo (21) e segue até o dia 22 de setembro, deve ser marcado por duas fases, uma com dias frios e úmidos e o registro de temperaturas predominantemente mais altas do que a média histórica. 

Segundo Ana Ávila, meteorologista do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura ) da Unicamp, a previsão aponta para uma primeira semana de tempo instável, com chuvas concentradas a partir de terça-feira (23), seguidas por dias de frio constante. No entanto, ao longo dos meses de julho e agosto, a tendência é de elevação nas temperaturas, impulsionada pela formação do fenômeno climático El Niño.

O que é o El Niño ?
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico na região equatorial. O El Niño ocorre quando os ventos alísios, que normalmente empurram as águas quentes para o oeste do Pacífico, enfraquecem ou mudam de direção.

Com isso, as águas mais quentes permanecem acumuladas na superfície do oceano, elevando a temperatura do mar em pelo menos 0,5°C acima da média por um período prolongado, podendo ultrapassar 3°C em alguns casos. Esse aquecimento influencia o clima em diversas regiões do planeta, alterando os padrões de chuva e temperatura.

Frio constante no início e transição
O inverno no Hemisfério Sul começou oficialmente às 05h24 no domingo (21). Este momento é conhecido como solstício de inverno e marca a noite mais longa do ano. A estação vai até 22 de setembro, quando chega a primavera. “Diferente do inverno anterior, que registrou extremos de temperatura na casa dos 7°C durante a noite, a expectativa para este ano é de um frio mais persistente ao longo do dia, especialmente na primeira semana, sem marcas tão extremas. O que a gente deve esperar são dias frios. Sabe aquele dia que você não consegue tirar o casaco? Você fica de casaco o dia inteiro? Você fica sentindo aquele dia com temperaturas mais baixas”, explica a especialista Ana Ávila. 

Após a primeira quinzena de julho, a tendência de frio diminui gradativamente. A partir de agosto, a expectativa é de que os dias fiquem mais quentes, embora a chegada de frentes frias pontuais não esteja descartada.

O impacto do El Niño
A elevação das temperaturas na segunda metade do inverno está diretamente associada ao El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa do Equador, que altera a circulação atmosférica global. O fenômeno está em fase de formação e deve se configurar plenamente nos próximos dois meses. “Quando o El Niño está atuando, a gente tem uma tendência de temperaturas mais altas aqui para a nossa região”, destaca a especialista, reforçando que o impacto do fenômeno será sentido de forma mais clara após a sua consolidação.

Período seco e cuidados com a saúde
Em relação às chuvas, a região de Campinas está em uma zona de transição entre o sul do país (com chuvas acima da média) e o norte (com chuvas abaixo da média), o que deve resultar em um regime de precipitação dentro da normalidade. Como o inverno é historicamente a estação mais seca na região, a atenção deve se voltar para a baixa umidade do ar e a piora na qualidade do ar, fatores que favorecem problemas respiratórios.

A recomendação para o período é manter os ambientes umidificados e evitar queimadas ou a queima de lixo, práticas que agravam a concentração de poluentes na atmosfera.

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