
O inverno na RMC (Região Metropolitana de Campinas), que teve início neste domingo (21) e segue até o dia 22 de setembro, deve ser marcado por duas fases, uma com dias frios e úmidos e o registro de temperaturas predominantemente mais altas do que a média histórica.
Segundo Ana Ávila, meteorologista do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura ) da Unicamp, a previsão aponta para uma primeira semana de tempo instável, com chuvas concentradas a partir de terça-feira (23), seguidas por dias de frio constante. No entanto, ao longo dos meses de julho e agosto, a tendência é de elevação nas temperaturas, impulsionada pela formação do fenômeno climático El Niño.
O que é o El Niño ?
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico na região equatorial. O El Niño ocorre quando os ventos alísios, que normalmente empurram as águas quentes para o oeste do Pacífico, enfraquecem ou mudam de direção.
Com isso, as águas mais quentes permanecem acumuladas na superfície do oceano, elevando a temperatura do mar em pelo menos 0,5°C acima da média por um período prolongado, podendo ultrapassar 3°C em alguns casos. Esse aquecimento influencia o clima em diversas regiões do planeta, alterando os padrões de chuva e temperatura.
Frio constante no início e transição
O inverno no Hemisfério Sul começou oficialmente às 05h24 no domingo (21). Este momento é conhecido como solstício de inverno e marca a noite mais longa do ano. A estação vai até 22 de setembro, quando chega a primavera. “Diferente do inverno anterior, que registrou extremos de temperatura na casa dos 7°C durante a noite, a expectativa para este ano é de um frio mais persistente ao longo do dia, especialmente na primeira semana, sem marcas tão extremas. O que a gente deve esperar são dias frios. Sabe aquele dia que você não consegue tirar o casaco? Você fica de casaco o dia inteiro? Você fica sentindo aquele dia com temperaturas mais baixas”, explica a especialista Ana Ávila.
Após a primeira quinzena de julho, a tendência de frio diminui gradativamente. A partir de agosto, a expectativa é de que os dias fiquem mais quentes, embora a chegada de frentes frias pontuais não esteja descartada.
O impacto do El Niño
A elevação das temperaturas na segunda metade do inverno está diretamente associada ao El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa do Equador, que altera a circulação atmosférica global. O fenômeno está em fase de formação e deve se configurar plenamente nos próximos dois meses. “Quando o El Niño está atuando, a gente tem uma tendência de temperaturas mais altas aqui para a nossa região”, destaca a especialista, reforçando que o impacto do fenômeno será sentido de forma mais clara após a sua consolidação.
Período seco e cuidados com a saúde
Em relação às chuvas, a região de Campinas está em uma zona de transição entre o sul do país (com chuvas acima da média) e o norte (com chuvas abaixo da média), o que deve resultar em um regime de precipitação dentro da normalidade. Como o inverno é historicamente a estação mais seca na região, a atenção deve se voltar para a baixa umidade do ar e a piora na qualidade do ar, fatores que favorecem problemas respiratórios.
A recomendação para o período é manter os ambientes umidificados e evitar queimadas ou a queima de lixo, práticas que agravam a concentração de poluentes na atmosfera.





