
As linhas do transporte coletivo metropolitano que atendem Sumaré, Hortolândia e Campinas voltaram a provocar reclamações de passageiros na manhã de quarta-feira (16). Usuários relataram superlotação, calor e dificuldades para embarcar e permanecer dentro dos veículos.
Vídeos enviados à TV TODODIA mostram a situação da linha 653, operada pelo Consórcio Bus+. Uma mulher chegou a passar mal e desmaiar durante a viagem, segundo os relatos. A linha liga o Terminal Rodoviário de Sumaré à Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em Campinas, passando por Hortolândia.
Passageiros relatam superlotação
Nos vídeos enviados pelo passageiro Luciano Gon, é possível ver o interior do veículo lotado. Revoltada, uma mulher cobra medidas para resolver o problema. “Olha o Estado Brasileiro ai, ó: o trabalhador tem que enfrentar esse ônibus com as pessoas penduradas fora da janela porque não tem lugar para entrar dentro do ônibus. Onde está a Justiça? Olha o estado em que estamos, acordando quatro e meia da manhã para enfrentar isso. Passageiro caindo das escadas, pendurado na porta, pendurado no ferro. E vamos embora, trabalhar – é desse jeito, olha o estado que está”, reclama a passageira.
Em outro vídeo enviado por Gon, a mesma mulher continua reclamando das condições do coletivo. As imagens também mostram uma segunda passageira passando mal, aparentemente por causa do calor e do aperto. “Olha o estado em que está o povo brasileiro indo trabalhar no ônibus, no aperto. Cadê esses vereadores que não estão ajudando o povo? Estamos igual lata de sardinha, somos trabalhadores, levantamos quatro e meia da manhã para enfrentar isso aí. Nós queremos uma solução, pagamos a passagem, não estamos aqui de graça”, lamenta a mulher.
Autor dos vídeos confirma problemas
A reportagem da TV TODODIA conversou no fim da manhã de quarta-feira com Luciano Gon, morador de Sumaré que trabalha em Campinas. Ele afirmou que a situação se estende há várias semanas, desde que a linha deixou de ser operada por um ônibus articulado e passou a utilizar um veículo comum.
Segundo Gon, a lotação é diária para quem utiliza a linha. Ele disse que o ônibus articulado foi retirado depois de apresentar problemas e não foi substituído por outro veículo do mesmo porte. Com isso, um ônibus menor passou a fazer o trajeto, agravando a situação nos horários de maior movimento.
“Eu pego o ônibus ali no Jardim Denadai, em Sumaré, e vou até a Unicamp. Hoje o ônibus estava super lotado. Teve gente espremido na porta. Uma senhora foi descer do ônibus inclusive, ela tropeçou e quase que caiu. Entendeu? Eu mandei um vídeo para vocês aí. A situação está complicadíssima. No horário de pico deles de manhã tinha um articulado, mas daí tiraram o articulado, foi disso que quebrou e não colocaram o outro. Colocaram o ônibus pequeno e está insuportável a situação. A gente está abandonado ali, porque o ônibus está super lotado, não tem como a gente praticamente entrar no ônibus, teve gente que ficou para trás, um monte de gente. Frequência direta, ontem mesmo não teve ônibus para a gente ir embora, a gente teve que se virar para ir embora como pôde. Faz tempo que está assim. A gente tenta de todas as formas fazer tudo que a gente pode, mas infelizmente a gente não é ouvido, esse que é o problema”, contou o usuário da linha.
Ainda de acordo com o passageiro, a superlotação já provocou mal-estar entre usuários e pelo menos uma mulher teria desmaiado durante uma viagem. “Isso, ela passou mal, ela desmaiou no ônibus, outro dia também uma outra moça desmaiou no ônibus, entendeu, então, porque é muito quente ali, os vidros fechados e a acumulação de gente é muito grande, então às vezes as pessoas passam mal, tem gente que vem para o Unicamp com bolsa de colostomia, idosas, e vai tudo em pé, tudo apertado, parecendo uma sardinha, porque não tem como se mexer dentro do ônibus. Se você tirar o pé de um lugar, você fica sem. A gente espera que a empresa dê um socorro para a gente, porque está difícil, a gente tem que ter um ônibus melhor, tem que ter mais ônibus, o horário das 17h que tinha antigamente, por causa da pandemia foi retirado, e não retornou. Então, a gente está meio que abandonado aqui, entendeu? Não tem mais o que fazer”, finalizou Luciano.
Outro lado: agência fiscaliza e orienta denúncias
Em nota emitida na quarta-feira, a Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) informou ter conhecimento das reclamações sobre a linha 653. A agência afirmou que vem intensificando a fiscalização das linhas metropolitanas em Sumaré, Hortolândia e Campinas. São verificados o cumprimento dos horários programados, as condições dos ônibus, a lotação e a regularidade da operação.
Desde março, segundo a Artesp, ocorre uma verificação contínua do Consórcio Bus+, com fiscalização das condições dos veículos, dos horários e da lotação. A agência informou que vistoria 100% da frota. Em uma dessas fiscalizações, realizada em 3 de setembro, foram vistoriados pontos estratégicos da região de Campinas, como o Terminal Metropolitano, o Shopping Iguatemi e a Rodoviária de Sumaré. Na ocasião, das 66 viagens programadas em 14 linhas que passam por esses locais, 15 não foram realizadas, o que representou índice de falha de 22,7%.
A Artesp informou ainda que instaurou um processo administrativo por descumprimento contratual e pela não apresentação de um plano de melhoria por parte do consórcio. O Consórcio Bus+ recebeu prazo de 60 dias para normalizar a operação de 36 linhas consideradas deficitárias. O processo pode resultar na caducidade do contrato, ou seja, na perda da concessão pelo consórcio, conforme a previsão contratual e o anexo de penalidades.
A Artesp também orienta os passageiros a registrar reclamações na Ouvidoria da agência, pelo site Fala SP, pelo telefone 0800 727-8377 ou pelo e-mail [email protected]. Segundo o órgão, os registros ajudam a subsidiar a fiscalização e a adoção das medidas cabíveis.
Empresa aponta falta de mão de obra e congestionamentos
Questionado pela reportagem sobre as reclamações na linha 653, o Consórcio Bus+ reiterou argumentos apresentados anteriormente.
A empresa vem atribuindo parte dos problemas nas linhas que atendem à Região Metropolitana de Campinas (RMC) à falta de mão de obra qualificada, especialmente de motoristas.
O consórcio também citou os congestionamentos frequentes nas rodovias da região, principalmente nos horários de pico da manhã e da tarde, como um dos fatores que prejudicam o cumprimento dos horários previstos.





