
Os vereadores da Câmara de Sumaré aprovaram, na sessão de terça-feira (25), uma moção de repúdio à Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo). O motivo é o que foi classificado como “precariedade, falhas recorrentes e insuficiente fiscalização do transporte público metropolitano” que atende à cidade e à região. Proposto pelo vereador Wellington Souza (PT), o documento recebeu 18 votos favoráveis em plenário.
Horas antes da votação da moção, um trabalhador desemprego foi atropelado por um ônibus metropolitano ao atravessar uma rua no Jardim Macarenko pela faixa de pedestres.
Vereador chama situação de “inaceitável”
No documento, o parlamentar afirma que a situação enfrentada diariamente pelos usuários do transporte público intermunicipal é “inaceitável”. “Infelizmente, todos os dias, a gente vem recebendo diversas reclamações do transporte público aqui na cidade de Sumaré. Seja na TV, sejam os munícipes nos pontos de ônibus, seja nas nossas visitas que a gente faz cotidianamente, principalmente agora que se trata de um ano eleitoral. A população paga caro por uma passagem por um transporte péssimo”, afirmou Souza.
Segundo ele, em algumas situações, “chove mais dentro do que fora” dos coletivos que ligam Sumaré às demais cidades da Região Metropolitana. Quando chove, chove mais dentro do ônibus do que lado de fora. Sem contar os atrasos. Semana passada, um morador procurou nosso mandato para falar que no transporte, no aplicativo, tem a linha ali disponível, porém na hora de passar o transporte público, não existe a linha. E aí os estudantes, os trabalhadores têm que pedir em um aplicativo. E a passagem, que é R$ 6,15, num horário dinâmico desse, nós simulamos, vai até R$ 30. Então o trabalhador, o estudante, não tem condições de pagar uma passagem dessa”, apontou o vereador.

Fica pior aos finais de semana, aponta autor
Para o parlamentar, a situação das linhas e dos horários fica ainda pior aos finais de semana, e a evolução do sistema metropolitano não acompanhou o crescimento da cidade nas últimas décadas. “Sem contar que nos finais de semana não existe transporte público. A gente tem uma dificuldade muito grande, Sumaré cresceu, hoje tem mais de 300 mil habitantes, e o transporte público é o mesmo. A gente fica numa situação complicada, delicada, porque, nas primeiras horas do dia, onde os trabalhadores e os estudantes precisam ir para o seu destino final, não tem ônibus articulado. É uma sardinha, parece uma lata de sardinha realmente, essa é a verdade. E o papel nosso, de vereador, a minha prerrogativa é essa: cobrar, fiscalizar. Tenho feito diversos documentos para Artesp”, acrescentou o autor da moção.
Vereador reclamou também das linhas urbanas
Em sua fala durante a sessão desta semana, Wellington Souza reclamou também das linhas urbanas, ou seja, municipais, principalmente por problemas recorrentes de acessibilidade nos ônibus. “E não só no transporte intermunicipal, quanto do municipal também. Infelizmente, a linha do Matão, principalmente, tem alguns amigos nossos que são deficientes físicos, que e o elevador não funciona. Ele tem que esperar passar duas linhas de ônibus, isso quando não é horário de almoço do motorista, para passar um outro ônibus para ele poder usar o transporte”, destacou Wellington Souza.
Caso deve ser levado pessoalmente à Artesp
O vereador apontou na moção que “a Artesp possui papel fundamental na fiscalização, controle e regulação do transporte coletivo metropolitano”. Por isso, o autor da moção de repúdio prometeu também levar o caso pessoalmente à Agência Reguladora. “Então por esse motivo que eu fiz essa moção muito, bem elaborada, porque a população de Sumaré não aguenta mais o descaso com o transporte público. Esse é o nosso dever, é cobrar, fiscalizar, e por esse motivo que estou apresentando essa moção. Vou pessoalmente na Artesp levar vários ofícios, protocolar vários documentos, e pedir uma reunião, porque a situação que tá não dá, não dá mais. A população do Sumaré tá cansada, paga a cara no transporte e não tem um transporte público digno”, incluiu o parlamentar sumareense.
Por fim, ao pedir o voto dos demais vereadores, Wellington Souza afirmou que o usuário de Sumaré “paga caro” e não tem um transporte coletivo metropolitano “digno”. “A gente vê com muita frequência, como falei anteriormente, várias falhas. Essa semana eu vi uma matéria que a porta do transporte não fechava. Então assim, por esse motivo que eu apresentei essa emoção, peço o voto favorável para os trabalhadores, porque o transporte público do Sumaré precisa de uma atenção, precisa ser valorizado o munícipe, porque paga caro e não tem um transporte digno”, finalizou Wellington Souza.

Outro lado: questionada, Agência não se manifesta
A reportagem da TV TODODIA solicitou um posicionamento da Artesp, perguntando quais medidas já vêm sendo tomadas para melhorar a qualidade do sistema de Transporte Público Metropolitano que atende à cidade e à região.
No entanto, a agência não respondeu até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para a manifestação do órgão que controla e fiscaliza o sistema na RMC.





