terça-feira, 12 maio 2026
REDE PÚBLICA DE SAÚDE

Após fiscalização, TCE-SP aponta umidade, rachaduras e fezes de animais em almoxarifado da Saúde de Sumaré

Irregularidades foram encontradas durante fiscalização surpresa em 300 municípios paulistas; relatório final com os detalhes por cidade deve ser divulgado em até 30 dias
Por
Vagner Salustiano

Uma fiscalização surpresa do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) em 300 municípios paulistas encontrou ao menos três irregularidades no almoxarifado da Secretaria Municipal de Saúde de Sumaré.

Segundo a corte de contas, os auditores encontraram marcas de umidade e rachaduras em duas paredes da unidade, além da presença de fezes de animais no piso, “denotando a entrada de pombos” no almoxarifado.

TCE encontrou presença de fezes de animais no piso, denotando a entrada de pombos. Foto: TCE-SP

Segundo o órgão fiscalizador, os auditores encontraram irregularidades nas farmácias municipais de todas as 300 cidades visitadas na última semana, incluindo problemas estruturais no armazenamento de medicamentos. O relatório final, com o detalhamento do que foi flagrado em cada município, deve ficar pronto em até 30 dias.

Mesmo assim, o TCE-SP adiantou à reportagem da TV TODODIA as três situações flagradas no almoxarifado da Saúde Municipal de Sumaré.

Prefeitura de Sumaré se manifesta
Questionada, a Secretaria de Saúde de Sumaré informou ter “recebido com seriedade” os apontamentos do Tribunal de Contas.

Segundo a pasta, “as situações relacionadas à presença de fezes de animais, marcas de umidade e rachaduras estruturais já foram encaminhadas para avaliação técnica e adoção imediata das medidas corretivas necessárias”.

A gestão da área reforçou ainda que “mantém compromisso permanente com a qualidade do armazenamento de medicamentos, com a segurança sanitária e com a transparência na gestão pública”.

Também destacou que “vem realizando uma série de ações de reorganização e modernização da estrutura da Saúde, inclusive com investimentos em melhorias operacionais e estruturais das unidades e setores vinculados à secretaria”.

Resultados nas 300 cidades
De forma geral, a operação surpresa realizada pelo TCE-SP na última quinta-feira (07), com apoio do CRF (Conselho Regional de Farmácia), revelou o descarte de medicamentos que somam mais de R$ 4,3 milhões em prejuízos aos cofres públicos.

O dado, que consta no relatório preliminar da 2ª Fiscalização Ordenada de 2026, destaca ainda que a maior parte desse montante, cerca de 63%, foi perdida porque os remédios ultrapassaram a data de validade enquanto aguardavam distribuição nas prateleiras dos almoxarifados e farmácias municipais.

A fiscalização, que mobilizou mais de 380 auditores em 300 municípios paulistas simultaneamente, apontou também que 73% das farmácias fiscalizadas enfrentam desabastecimento de itens vitais, como psicofármacos e remédios para diabetes.

Auditores fotografaram as marcas de umidade em uma das paredes, sobre caixas de materiais. Foto: TCE-SP

Presidente do TCE comenta cenário
A presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheira Cristiana de Castro Moraes, comentou os resultados preliminares da fiscalização.

“A saúde é uma área vital para a população. Infelizmente, nós encontramos algumas falhas graves. Encontramos falhas de atendimento, falhas de armazenamento, medicamentos estocados em más condições, depósito com unidade, teto caindo. Encontramos situações de medicamentos estocados no chão. Vimos também situações, por exemplo, medicamentos controlados que estavam em armários sem chave e de fácil acesso à população. São situações graves. Muitos depósitos e farmácias não tinham auto de vistoria de Corpo de Bombeiros. E a situação que chamou mais atenção foi que mais de 70% das farmácias auditadas tiveram desabastecimento no último ano. E essas farmácias são falhas de medicamentos básicos. Por exemplo, estamos falando em falta de omeprazol, falta de antibiótico, falta de ácido fólico, falta de remédio para hipertensão, falta de remédio para tireoide – remédios essenciais para a população. Encontramos também medicamentos vencidos e descartados. Isso é muito grave, é um prejuízo para a população”, apontou Cristina.

A situação de cada município deve ser conhecida até o próximo mês, com a divulgação do relatório final.

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