quinta-feira, 10 setembro 2026
OPERAÇÃO “ARCHIMAGUS”

Após ser preso em operação, Hélio Silva é afastado da presidência da Câmara de Sumaré; vice assume

Preso pela Polícia Federal em investigação sobre tráfico, vereador pediu licença por motivos particulares
Por
Vagner Salustiano
Vice-presidente Lucas Agostinho assumiu interinamente a Presidência da Câmara de Sumaré. Foto: Câmara Municipal de Sumaré

Em sessão realizada na manhã de quinta-feira, os vereadores da Câmara Municipal de Sumaré aprovaram o pedido de licença não remunerada do presidente Hélio Silva (Cidadania). A reunião começou às 10h e durou cerca de 40 minutos.

Vereador e candidato a deputado federal, Hélio Silva foi preso temporariamente na quarta-feira pela Polícia Federal, pela Polícia Militar e pelo Gaeco, por 30 dias, no âmbito da Operação Conjunta “Archimagus”. A investigação apura um esquema de tráfico de drogas e associação para o tráfico na região.

Comerciante foi apontado como “Mister M”
Comerciante do ramo de materiais de construção, Hélio Silva foi apontado pelas polícias como financiador e principal articulador do suposto esquema. Ele também seria o conhecido “Mister M” e teria uma extensa ficha criminal, segundo as investigações.

O vereador foi detido em casa, em um condomínio de Paulínia, com armas, R$ 18 mil em dinheiro, munições e joias. Ele é suspeito de financiar o tráfico de drogas investigado na operação e de coordenar o funcionamento do esquema.

Segundo a Operação “Archimagus”, o parlamentar utilizaria suas empresas para “lavar” os recursos obtidos com o tráfico.

Nos bastidores da Câmara Municipal, a prisão do presidente foi recebida com surpresa. Ainda na quarta-feira, os advogados de Hélio Silva protocolaram o pedido de licença por 30 dias, sob a justificativa de que ele precisava “tratar de assuntos particulares”.

Hélio Silva permanece preso na Superintendência da Polícia Federal. Foto: Câmara Municipal de Sumaré

Vice-presidente assumiu a Mesa Diretora
Com o afastamento do presidente, o vice Lucas Agostinho (União) assumiu interinamente a Presidência do Legislativo Municipal também na quinta-feira.

Segundo o presidente interino, os trabalhos da Câmara Municipal de Sumaré não devem ser prejudicados pela situação. “Nós recebemos hoje o ofício do presidente Helio, pedindo o afastamento de 30 dias. Agora estamos assumindo a cadeira de presidente interino, o vereador Helio continua sendo o presidente, nós ‘estamos’ interino. Agora vamos tocar o rito da Casa, fazer todas as partes administrativas da Presidência, seguir o rito normal da Casa e acompanhar os trabalhos”, afirmou.

Próximas sessões devem manter rotina
Lucas Agostinho afirmou que não há temas de grande repercussão previstos para votação nas próximas sessões do Legislativo de Sumaré. “Não, até então não temos nenhuma informação. Como eu te disse, acabamos de assumir a Presidência interina. A partir de agora a gente vai estar acompanhando e vendo como vai ser os trabalhos”, acrescentou.

O presidente interino também admitiu que a prisão de Hélio Silva causou impacto entre os vereadores e servidores da Câmara. “Eu acho que a situação toda acabou tendo um impacto com os vereadores, mas é uma coisa pessoal do vereador Helio, até onde a gente sabe não tem envolvimento com a Câmara, então nós estamos acompanhando ainda para ver qual vai ser os próximos passos da Justiça”, completou.

Defesa prepara pedido de soltura
A reportagem da TV TODODIA localizou e entrevistou, na quinta-feira, a defesa de Hélio Silva. O advogado Edilson Casagrande afirmou que pretende tentar obter a liberdade provisória do cliente o mais breve possível.

Nota do diretório estadual do Cidadania sobre a suspensão de Hélio Silva das funções partidárias. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Cidadania suspende vereador de funções partidárias
Na noite de quarta-feira, a direção estadual do Cidadania suspendeu Hélio Silva de todas as funções partidárias.

Em nota, a legenda informou que sua “direção estadual suspendeu imediatamente todas as funções de Hélio Silva no partido” e se colocou “à disposição das autoridades no que couber”.

O Cidadania também afirmou “respeitar a ampla defesa de todo cidadão”, mas “não tolerar qualquer conduta fora da lei”. “Cidadania é tolerância zero com o crime”, completou o partido.

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