quinta-feira, 1 outubro 2026
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA

HES confirma desligamento de 18 ginecologistas em meio a casos de curetagens malsucedidas

Hospital diz ter recomposto a equipe, mas gestantes relatam cancelamentos e dificuldades no pré-natal
Por
Vagner Salustiano
Desligamento de 18 médicos foi confirmado após os casos de possíveis erros médicos virem a público. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Após dois casos de curetagens possivelmente desnecessárias e malsucedidas, que deixaram as pacientes ainda grávidas, o setor de Ginecologia e Obstetrícia do HES (Hospital Estadual de Sumaré Dr. Leandro Franceschini) enfrenta a saída de profissionais.

Segundo informações divulgadas nesta semana, gestantes de alto risco atendidas no hospital têm relatado falta de médicos especialistas, com consultas e exames de pré-natal cancelados ou reagendados, entre outras dificuldades.

A direção do Hospital Estadual, administrado pela Funcamp (Fundação de Desenvolvimento da Unicamp), confirmou a saída de 18 médicos ginecologistas e obstetras entre agosto e setembro, depois que o primeiro caso de curetagem possivelmente desnecessária veio a público.

Motivo dos desligamentos não foi confirmado
Não foi informado se a saída dos 18 médicos ginecologistas e obstetras teve relação com os casos de curetagem que deixaram as pacientes ainda grávidas. Uma delas tem uma gestação de alto risco.

O HES afirmou, no entanto, que vem “reforçando” a equipe de Ginecologia e Obstetrícia desde agosto, “para assegurar o agendamento de consultas de pré-natal”. Atualmente, o serviço conta com 44 médicos, com cargas horárias diferentes.

O hospital ressaltou ainda que “as gestantes com gravidez de alto risco têm prioridade no agendamento”.

Entre janeiro e agosto de 2026, segundo o Hospital Estadual, o setor de Ginecologia e Obstetrícia realizou 1.821 consultas ambulatoriais, incluindo 1.136 de pré-natal, além de 3.621 atendimentos de urgência, 1.430 partos e 668 cirurgias.

Relembre os casos denunciados
Em agosto, uma mulher de 37 anos grávida contou ter recebido um diagnóstico possivelmente equivocado de aborto espontâneo e passado por uma curetagem com o bebê ainda vivo. O procedimento foi realizado em 12 de julho, no próprio Hospital Estadual.

Um mês depois, ela descobriu que continuava grávida. A gestação passou a ser considerada de alto risco porque a mulher perdeu líquido amniótico durante o procedimento, provavelmente em razão da perfuração da bolsa amniótica.

Mesmo assim, a paciente decidiu levar a gestação adiante, na expectativa de que o bebê se desenvolva e nasça com saúde.

Maternidade do HES atende gestantes e recém-nascidos, incluindo casos de alto risco. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Exame em Campinas confirmou que bebê estava vivo
No fim de setembro, outra mulher, de 40 anos, relatou ter passado por uma curetagem malsucedida no HES.

Ela foi submetida ao procedimento em 25 de fevereiro, ainda no início da gestação, depois que exames realizados no local indicaram que a gravidez não havia evoluído.

No entanto, a mulher continuou sentindo dores e cólicas. Três semanas depois, um ultrassom realizado na Maternidade de Campinas comprovou que ela ainda estava grávida, com pouco mais de sete semanas, e que o feto se desenvolvia normalmente. Atualmente, a gestação chegou a 37 semanas.

HES abriu sindicâncias, mas não divulgou resultados
Nos dois casos, a direção do Hospital Estadual de Sumaré, unidade de referência regional do SUS (Sistema Único de Saúde), informou ter aberto sindicâncias internas para apurar os fatos e continuado a prestar suporte e atendimento às pacientes.

Até o momento, a direção do HES não atualizou o estado de saúde das duas pacientes e dos bebês nem divulgou os resultados das sindicâncias.

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