
A Libras (Língua Brasileira de Sinais), tem mais de duas décadas de regulamentação no Brasil. Esse marco histórico é comemorado anualmente no dia 24 de abril, o Dia Nacional da Libras, uma data fundamental para reforçar a inclusão da comunidade surda na sociedade.
Instituto Cultura Libras
Embora a acessibilidade ainda represente um desafio em nossa região, esse cenário vem sendo transformado por iniciativas locais, como o Instituto Cultura Libras.
Localizado em Santa Bárbara d’Oeste, o centro promove a capacitação através de cursos e estágios não remunerados, sob a liderança do CEO Victor Pascoalini, que destaca a trajetória de impacto e crescimento da instituição.
“O Instituto nasceu no ano de 2019, especificamente no dia 22 de julho. Eu postava alguns vídeos interpretando músicas nas redes sociais e as pessoas comentavam: ‘me ensina a língua de sinais’. Como eu sempre quis ser professor e já cursava a faculdade de Letras Libras, decidi abrir o Instituto Cultura Libras. Comecei como MEI e hoje já somos ME; esse foi o início do Instituto ministrando língua de sinais”, diz Pascoalini.
Via Crucis
Dando continuidade a essa missão de inclusão, em 2026, o Instituto Cultura Libras marcou presença no espetáculo Via Crucis. A iniciativa proporcionou uma verdadeira imersão no universo dos tradutores e intérpretes, permitindo que os alunos aplicassem o aprendizado na prática.
Por meio de um estágio não remunerado, os estudantes vivenciaram os desafios da tradução em tempo real, unindo arte e acessibilidade em um dos maiores eventos da região.
“Os alunos começam a ter experiências para entender se é realmente isso que querem e onde desejam chegar, compreendendo os caminhos que precisam percorrer fora da sala de aula. Embora esses temas sejam discutidos em aula, a vivência prática é totalmente diferente. Essas experiências ocorrem por meio de estágios não remunerados, nos quais os alunos compartilham o mesmo espaço que os tradutores e intérpretes profissionais contratados pelo Instituto. O objetivo é que eles recebam informações e entendam, com mais detalhes, como funciona a profissão, para que possam decidir se pretendem seguir na área ou não”, explica o professor.

Essa função exige agilidade e um preparo rigoroso. Afinal, traduzir uma experiência como o Via Crucis vai além da técnica; é transpor a carga emocional da atuação e das vozes em sinais, garantindo plena compreensão.
Ao ocupar espaços de tamanha visibilidade, a instituição não apenas qualifica novos profissionais, mas reafirma a arte como um direito universal. Assim, a inclusão deixa de ser um conceito abstrato para se tornar o elo que une diferentes formas de perceber e sentir o mundo.
“Na área artística, precisamos de profissionais qualificados e específicos. Eu não posso, por exemplo, selecionar um profissional da área educacional que não tenha a expertise artística e colocá-lo para atuar nesse contexto; ele não entregará a mesma performance que um intérprete preparado para os palcos. São preparos e disposições adicionais que a atuação artística exige. No entanto, mesmo diante de tanto avanço, os desafios ainda são muitos”, destaca Victor Pascoalini.
História
A história dessa linguagem no país remonta ao século XIX, quando Dom Pedro Segundo trouxe um educador francês para fundar a primeira escola para surdos no Brasil. Porém, esse avanço foi interrompido por um hiato de quase 80 anos, período em que a língua de sinais foi proibida e marginalizada em prol do ensino oralista.
Essa barreira só começou a ser derrubada definitivamente em 2002, com a Lei nº 10.436, que finalmente reconheceu a Libras como meio um legal de comunicação e expressão, devolvendo direitos à comunidade surda.
“Sem a língua de sinais, a comunidade surda não teria alcançado os avanços que vemos hoje, pois a língua é parte integrante de sua identidade. Essa comunidade passou a ter seu valor plenamente reconhecido a partir da Lei nº 10.436, de 2002, que reconheceu a Libras como meio legal de comunicação e expressão da comunidade surda brasileira. Trata-se, portanto, de uma língua específica e oficializada para esse grupo”, compartilha o CEO.
Imersão cultural
Como qualquer idioma, a Libras não é estática; ela respira e evolui conforme a sociedade se transforma. Victor Pascoalini ressalta que essa atualização constante exige mais do que estudo técnico, exige convivência.
Compreender as novas gírias e expressões que surgem na comunidade é um processo que acontece através da imersão cultural.
“A língua de sinais é viva; está em constante mudança e atualização, embora de forma muito informal. Na língua portuguesa, por exemplo, temos as normas da ABNT, que regem como devemos escrever e nos comunicar formalmente. Infelizmente, na Libras, ainda não dispomos de uma padronização semelhante. As mudanças ocorrem a partir das vivências da comunidade surda, em que se percebe, na prática, que determinado sinal caiu em desuso ou evoluiu para uma nova forma”, comenta Pascoalini.

Um dos maiores obstáculos enfrentados pela área é a escassez de acervos didáticos padronizados para consulta imediata. Diante dessa lacuna, muitas instituições acabam desenvolvendo métodos próprios de ensino.
É o caso do material pedagógico criado pelo CEO do Instituto Cultura Libras que faz questão de incluir um vocabulário contemporâneo. As apostilas contemplam sinais que vão desde termos religiosos até pautas de diversidade e identidade de gênero, garantindo que a comunicação acompanhe os debates atuais da sociedade.
“Atualmente, não dispomos de um acervo amplo para essa busca ativa. No Instituto Cultura Libras, por exemplo, eu mesmo desenvolvi todo o material didático, do nível básico ao avançado. Elaborei o conteúdo de cada módulo para ser utilizado ao longo de seis meses de curso. Como não havia materiais disponíveis no mercado para essa finalidade, as instituições acabam precisando seguir um de dois caminhos: ou adquirem materiais de terceiros, ou desenvolvem sua própria metodologia”, afirma o professor.
Reconhecimento
Todo esse esforço técnico e pedagógico ganha sentido no dia a dia, através do reconhecimento de quem mais importa.
“Tive um retorno da comunidade surda que me confirmou que estou no caminho certo e cumprindo o meu propósito. Eles relataram: ‘me emocionei, consegui sentir tudo o que estava sendo falado, entendi tudo; foi incrível ver as sinalizações, parecia tudo muito real’. Isso me dá a certeza de que eu e o Victor, representando o Instituto Cultura Libras, estamos no caminho correto. Estamos mudando vidas, tanto de alunos quanto da comunidade surda, entregando o nosso melhor em prol do desenvolvimento e da valorização dos surdos”, conclui Victor Pascoalini.
Serviço
Para obter mais informações sobre os cursos e projetos desenvolvidos pela instituição, o contato pode ser feito pelo:
- E-mail [email protected].
- Telefone (19) 99205-1245.





