sábado, 2 maio 2026
SAÚDE

Vacinação contra a gripe segue abaixo de 40% entre grupos prioritários na região; situação pode gerar aumento de casos graves

Dados apontam baixa adesão em cidades da área de cobertura, enquanto a influenza concentra parte relevante das mortes por síndrome respiratória aguda grave no país
Por
Nicoly Maia

A influenza foi responsável por 43% das mortes por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) entre as semanas epidemiológicas 10 e 13 no Brasil, segundo dados do SIVEP-Gripe (Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe). Na área de cobertura da TV TODODIA, a adesão à vacinação entre grupos prioritários segue abaixo de 40%.

Em nove cidades analisadas, foram aplicadas 236.530 doses da vacina contra a influenza nos primeiros meses de 2026. Em Campinas, foram 134 mil doses. A cobertura vacinal entre os grupos prioritários permanece abaixo de 50%, com 35,41% entre idosos, 14,16% em crianças de 6 meses a menores de 6 anos e 32,21% em gestantes.

Em Hortolândia, foram aplicadas 18.173 doses em 2026. A cobertura entre crianças é de 9%. Entre idosos, chega a 29%, com 9.587 doses. Em gestantes, a cobertura é de 25%.

Dados nacionais
Desde o início de 2026, o Brasil registrou 30.871 casos de SRAG e 1.315 mortes. Entre as semanas epidemiológicas 10 e 13, foram contabilizados 3.734 casos com identificação viral. Desse total, 37% estão associados ao rinovírus, 27% à influenza e 18% ao VSR (vírus sincicial respiratório).

No mesmo período, 97 casos com identificação viral evoluíram para morte. Desses, 43% foram associados à influenza, sendo 28% por influenza A não subtipado, 9% por influenza A (H3N2), 5% por influenza B e 1% por influenza A (H1N1)pdm09. Outros 23% estão ligados ao rinovírus e 18% ao SARS-CoV-2.

Desde o início de 2026, o Brasil registrou 30.871 casos de SRAG e 1.315 mortes. Foto: Reprodução/Myke Sena/MS

Cenário epidemiológico
Em Campinas, 2025 registrou 552 casos e 67 mortes por SRAG causada por influenza. Entre os óbitos, 53 foram de pessoas que não haviam se vacinado. “O aumento da cobertura vacinal reduz internações. A vacina pode não impedir totalmente a infecção, mas diminui a gravidade dos casos, principalmente em idosos”, afirma o médico.

Existem quatro tipos de vírus influenza: A, B, C e D. Os tipos A e B estão associados às epidemias sazonais, sendo o tipo A relacionado a pandemias.

Segundo o especialista em moléstias infecciosas e parasitárias, Arnaldo Gouveia Junior, os subtipos mais comuns são o H1N1 e o H3N2. “A circulação dos subtipos varia ao longo dos anos, o que exige atualização anual da vacina. O vírus B também circula, mas com menor capacidade de transmissão”, explica.

Sintomas e complicações
Os sintomas mais comuns da gripe são febre, dor de garganta, tosse, dor no corpo e dor de cabeça. Também podem ocorrer calafrios, mal-estar, dor nas articulações, secreção nasal, diarreia, fadiga, vômito, rouquidão e irritação nos olhos.

A SRAG pode evoluir a partir de quadros gripais e levar à insuficiência respiratória. “O vírus influenza tem sido o principal causador dos casos mais graves, seguido pelo vírus sincicial respiratório. O SARS-CoV-2 e o rinovírus também aparecem entre os agentes identificados”, afirma o especialista.

Casos de influenza podem evoluir com complicações, principalmente em idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas. Entre as principais estão pneumonia, sinusite, otite, desidratação e agravamento de doenças preexistentes. “A gripe apresenta sintomas mais intensos do que o resfriado comum e pode evoluir para quadros graves, com necessidade de internação, especialmente em pessoas com comorbidades”, explica o médico.

Tratamento e prevenção
O Ministério da Saúde orienta o uso do antiviral fosfato de oseltamivir para casos de SRAG e para pacientes com síndrome gripal e fatores de risco. O tratamento deve ser iniciado, preferencialmente, nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas.

A vacinação é a principal forma de prevenção contra a influenza e suas complicações. O imunizante reduz o risco de casos graves e mortes e deve ser aplicado anualmente devido às mutações do vírus.

Além da vacina, medidas como higienização das mãos, uso de álcool em gel, ventilação de ambientes e etiqueta respiratória ajudam a reduzir a transmissão.

Cobertura na região
Na área de cobertura da TV TODODIA:

  • Campinas aplicou 186.925 doses em 2025 e soma 134.713 em 2026, sendo 91.666 destinadas ao público-alvo principal.
  • Limeira registrou 73.383 doses em 2025 e 17.736 em 2026.
  • Americana contabilizou 67.051 no ano passado e 18.374 neste ano.
  • Sumaré aplicou 65.852 doses em 2025 e, na campanha atual, iniciada em 28 de março, vacinou 15.458 pessoas.
  • Santa Bárbara d’Oeste registra 11.817 doses em 2026, contra 42.001 em 2025. Paulínia aplicou 36.214 doses em 2025 e soma 11.002 em 2026, até 25 de abril.
  • Hortolândia contabiliza 18.173 doses em 2026. Nova Odessa registra 4.850 doses neste ano, frente a 16.126 em 2025.
  • Cosmópolis soma 4.406 doses em 2026, contra 18.340 no ano anterior.

Proteção
A vacina protege contra os subtipos A (H1N1 e H3N2) e B. O pico de proteção ocorre cerca de 15 dias após a aplicação.

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